Kung Fury

Este curta (média?) metragem mistura anos 80, raptors, cop-raptor, arcades, Hitler, hackerismo, gostosas medievais, lasers, Thor, Kung-Fu, viagem no tempo, uma profecia e esse é apenas o começo de uma salada que apela para o absurdo usando efeitos digitais grotescos que se tornam caricatos e conseguem manter pelo menos meia-hora de um sentimento de confusão, identificação e êxtase juvenil. Afinal de contas, em que universo paralelo você pensou que veria um dinossauro lutar contra uma água dourada nazista?

Dirigido, escrito, atuado e produzido por David Sandberg, Kung Fury não se priva de inventar as mais ousadas sequências porque, afinal de contas, nada faria sentido do mesmo jeito. No entanto, de um jeito provocativo, deixa nas entrelinhas os absurdos que somos obrigados a engolir nos filmes de ação que levam toda essa farofa a sério. Pelo menos este filme sabe que nada é sério, e brinca constantemente com as facilidades com que o herói sai de qualquer situação que parece impossível de resolver.

Feito para soar exatamente como ele é, Kung Fury tem o potencial de liberar a imaginação de futuros idealizadores, ou no mínimo servir de referência para uma época onde é possível colocar nazistas no lado oculto da lua, no centro da Terra e viajando no tempo. Nunca é tarde para reinventar e misturar épocas, gostos e referências. Com nosso poder computacional, nada mais fará sentido. Kung Fury é apenas o começo.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-10-29 imdb