Life After Beth

Esse é um horror/trash-drama com grandes dificuldades em dizer quando devemos sentir algo e quando devemos dar risada. Seu momento máximo envolve as montanhas, um rádio e um fogão. Zumbis ainda podem render diferentes tons de filmes, mas nunca passarão de homenagens incidentais a George Romero.

No caso dessa estreia dirigida por Jeff Baena, a dupla Aubrey Plaza e Dane DeHaan fazem os papéis de Beth e Zach. Ambos brigaram e se separaram logo antes de Beth falecer. Como é de se esperar pelo “ótimo” trocadilho do título (Life After Beth, em vez de Death, morte), a jovem ressurge dos mortos e seus pais tentam mantê-la em sua vida como antes, embora Zach insista em trazer à tona o fato dela ter morrido.

Tentando sugerir que os pais já estão cientes do comportamento agitado e agressivo dessa versão pós-morte de sua filha, e por isso evitem seu contato com o mundo exterior – como levá-la ao hospital, por exemplo – os cansativos diálogos a respeito de como lidar com a situação fazem menos sentido do que a própria ressurreição, que já foi vista e revista em tantos outros filmes que não é mais uma surpresa. Portanto, se torna um alívio quando finalmente as coisas saem dos trilhos, e onde finalmente pode-se notar um pouco de interpretação de Aubrey Plaza, que até então se contentava em virar os olhos no seriado que a trouxe à tona, Parks and Recreation, e outro de seus trabalhos medianos, Sem Segurança Nenhuma.

Já Dane DeHaan é um achado desde Poder sem Limites, e interpreta de forma competente o jovem e estupefato Zach, mantendo uma dupla interessante com o pai da menina, o igualmente interessante John C. Reilly. Já os personagens secundários, como a família distante e destoante de Zach, são mais uma distração do que algo relevante, servindo apenas como um pretexto ou explicação de por que o jovem se sente mais próximo da família da garota.

O diretor estreante Jeff Baena, por insegurança ou não, usa constantemente a câmera na mão, o que se torna uma escolha adequada na maioria das cenas e proporciona uma visão pré (e até pós) apocalíptica apropriada. No entanto, onde o clima funciona bem, não faz mais do que repetir outros trabalhos do Cinema e TV. Onde não funciona, a culpa é do seu próprio roteiro sem muita movimentação ou ideias interessantes. O grande atrativo é ir descobrindo aos poucos quais são as regras de zumbificação da vez. Ela terá força descomunal? Vai devorar pessoas que ama? Tem consciência que vai apodrecendo? Seu nível de transformação segue os 90 minutos de um filme?

De qualquer forma, não se pode negar que toda a sequência envolvendo um fogão quase que paga por toda a experiência. Quando chegamos a esse ponto dá vontade de que o que estamos vendo naquele momento tivesse um significado maior do que a mera comicidade universal, destacada da história. Infelizmente, é apenas um filme de zumbis com um final feliz e idiota demais para lembrar que havia um drama inserido na história.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-08-07 imdb