Loucas pra Casar

Dirigido e escrito como uma telenovela, Loucas Pra Casar tem uma boa ideia para uma peça de teatro (talvez até seja) e tenta esticá-la em um filme inteiro usando uma estrutura baseada em episódios descartáveis e bobos, tornando toda a experiência um exercício de futilidade com nenhuma tensão e zero carisma.

Sua protagonista, Malu (Ingrid Guimarães), passou a juventude adulta pegando buquês e vendo suas amigas se casarem. Dedicada e metódica, profissionalmente é bem-sucedida e independente. No entanto, isso não evita que ela se sinta incompleta, já que não tem marido (que pecado para uma mulher em pleno século 21!). Sendo secretária do seu pretendente para esse “cargo”, a única coisa que a atrapalha são as amantes de seu namorado. Ou seja, é o velho argumento machista das comédias românticas de Hollywood reciclada em um modelo brasileiro onde a putaria teoricamente é mais liberada.

Teoricamente. Mesmo sendo brasileiro, o filme é surpreendentemente conservador, frio e distante, pois se concentra em gags televisivas inocentes que quase nunca movem a história para frente. Sem mover a história, nunca se cria tensão ou empatia de seus personagens, que se dividem em mulheres histéricas e um homem perfeito cujo único possível defeito é ter duas amantes: uma dançarina de boate e uma jovenzinha metida a crentelha.

Pior que isso é reparar lá pela metade do filme para onde o roteiro desagradável de Marcelo Saback está nos levando, em uma reviravolta completamente sem sentido, onde até piadas como a de Malu falando com um porteiro só irão fazer sentido – e, portanto, supostamente se tornar engraçada – depois da reviravolta em si, quando tivermos entendido toda essa complexa “trama”, criada pelo jeito por uma mente feminina construída como alimento para machos-alfa ávidos por três mulheres dispostas a disputá-lo a tapas.

Loucas Pra Casar é um universo limitado demais para virar sequer um filme que acreditemos em seus personagens, pois os atores saíram de programas estilo Zorra Total, onde as mulheres fazem sexo impossível, de lingerie e calcinha, e onde o único objetivo da vida de uma mulher é conseguir um homem para casar. É curioso que para uma comédia, mesmo se fosse lançada trinta anos atrás, ainda poderia ser acusada de retrógrada.

★☆☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-01-04 imdb