A Saga Crepúsculo: Lua Nova

O filme inicial da “saga Crepúsculo” merecia o benefício da dúvida, pois pelas condições com que a história foi desenvolvida ficava muito difícil encaixar o filme no grupo de filmes sérios ou nas paródias. No entanto, com Lua Nova essa dúvida se dissipa completamente, graças aos torturantes 130 minutos que insistem em colocar a protagonista Bella Swan (Kristen Stewart) em diversas situações que nada alteram seu conflito inicial: devo conseguir obrigar meu namorado vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson) a me transformar em um ser imortal ou devo morrer tentando?

No fundo, é o que acaba sendo sugerido diversas vezes, quando Edward é obrigado a se mudar da cidadezinha para não trazer suspeitas sobre seu pai, um médico local e que por ser vampiro nunca envelhece. A separação do casal é comparada a Romeu e Julieta, de Shakespeare (quanta ousadia), pois separados não conseguem encontrar motivos para viver (sendo a parte mais triste saber que o pobre do Edward tem dificuldades para cometer o suicídio). Dessa forma, ele decide que é melhor não levá-la com ele, pois teme que não conseguiria protegê-la; o curioso desse raciocínio é que terminamos o filme anterior sabendo que havia um perigo iminente que poderia voltar à cidade, mas que encontraria apenas uma indefesa e desamparada Bella. Bom, de qualquer forma, talvez ele tenha pensado que seria melhor que não a visse sendo devorada.

Por conta disso, e sem ter o que fazer, Bella resolve se aproximar mais do seu vizinho musculoso Jacob (Taylor Lautner) e descobrir o que existe por trás de suas camisetas (e pelo jeito ele terá prazer em mostrar, pois costuma andar descamisado no frio da noite). Quer dizer, no início parece isso, mas olhando mais de perto claro que ela está apenas o usando para não ter que passar todos os dias olhando para a mesma janela da frente de sua casa. Essa, sim, é uma motivação e tanto, pois a vemos fazendo isso meses a fio.

De qualquer forma, o relacionamento entre Bella e Jacob acaba revelando que talvez o maior perigo da saga seja a própria Bella, pois parece fazer com que cada rapaz que ela se aproxime ficar extremamente confuso, com sentimentos mistos de desejo e repulsa, e ao mesmo tempo um forte instinto de protegê-la. Essa proteção, aliás, inclui ela própria, quando acaba descobrindo que consegue ver seu amado vampiro como um fantasma quando aumenta seu nível de adrenalina e decide realizar diversos atos estúpidos (como pular de um penhasco) para conseguir pelo menos admirar o seu semblante pálido e esbranquiçado.

Porém, essa ideia de Bella suicida também é descartada pelo roteiro, que encontra uma outra forma menos original da garota se encontrar com seu amado. A partir dessa sequência e da lógica dos participantes é possível entender que o que a roteirista Melissa Rosenberg está tentando fazer (além de nos confundir) é ofender nosso intelecto de todas as maneiras com que uma comédia de besteirol costuma fazer, só que não sendo engraçada. Talvez essa seja a definição Shakesperiana da dor, e daí a “homenagem”.

★☆☆☆☆ Wanderley Caloni, 2012-06-10. A Saga Crepúsculo: Lua Nova. The Twilight Saga: New Moon (USA, 2009). Dirigido por Chris Weitz. Escrito por Melissa Rosenberg, Stephenie Meyer. Com Kristen Stewart, Christina Jastrzembska, Robert Pattinson, Billy Burke, Anna Kendrick, Michael Welch, Justin Chon, Christian Serratos, Taylor Lautner. imdb