Luke Cage

Oct 17, 2016

Imagens

As produções da Marvel têm tanta certeza que seus fãs irão acompanhar as séries do começo ao fim que eles sequer precisam fazer um episódio piloto que chame a atenção. E é assim com Luke Cage, cria gerada a partir de Jessica Jones, a quase-potencial série em se tornar algo além do incidente Vingadores em Nova Iorque. Nesse caso, Cage passeia pelos personagens que irão colocá-lo em grandes enrascadas e fazê-lo viver grandes aventuras na velha e bobinha lenda do herói humilde que surge do Harlem e que combate uma poderosa máfia com conexões políticas.

Para soar mais “realista”, o ator Mahershala Ali, da série House of Cards, faz o líder da gangue responsável por conduzir os negócios sujos da vereadora local. Ele é estiloso, ele é mal, ele mata pessoas com os punhos. E do outro lado do ringue, Luke Cage, um fugitivo da justiça que vive como um pacato trabalhador braçal – em dois empregos – e mantém alguns segredos apenas para ele e seus mais chegados, como ter força extra-comunal e sobreviver a tiros e socos sem um arranhão. Há um momento no primeiro episódio que vemos rapidamente o que a computação gráfica é capaz de produzir. E, sim, há também um momento onde Cage amaldiçoa o dom que tem; para ele, para Jessica, para todos, dizer que ter super-poderes é um fardo é mais que o suficiente (aparentemente) para que entendamos todo o drama que essas pessoas vivem no mundo real.

E no meio dessa trama tão original há também cenas de luta e de sexo, exatamente como as produções Netflix para “adultos” gosta de realizar. Há também algo interessante para os afoitos por “representatividade de minorias”. Aqui há negros, dezenas, centenas deles. E música de negros. E uma trama praticamente protagonizada por eles. Porém, sendo sincero, você quase não percebe a diferença com uma produção de brancos, não fosse a forçação de barra em dizer os nomes Harlem e “crioulo” algumas dezenas de vezes. Acho que isso será o suficiente para chamar o pessoal de esquerda, mesmo que eles não gostem de quadrinhos ou super-heróis tanto assim.

Mas por falar em fãs – os reais – esta é uma série para eles, e especialmente os fãs de Cage, que o viram em Jessica Jones, e que curtem acompanhar seus personagens favoritos por mais episódios do que deveriam. Não se trata de nada menos que a qualidade Marvel (o que pode ser um elogio ou não), de forma que você terá alguns momentos empolgantes, referências ao universo e no meio disso diálogos mornos com personagens ligeiramente interessantes. Há um vilão (esse branco) que usa óculos escuros e anda como um mano da ZL. Sim, ele é perigoso (não está vendo que ele anda de óculos?), e Cage faz um esforço descomunal para parecer que está com medo do rapaz assim que o vê. Porém, esta não é uma obra para interpretações rebuscadas ou sobre a construção de personagens.

Wanderley Caloni, 2016-10-17. Luke Cage. Luke Cage (piloto) (USA, 2016). Dirigido por Paul McGuigan. Escrito por Cheo Hodari Coker, Archie Goodwin, John Romita Jr., Roy Thomas, George Tuska, Akela Cooper, Aïda Mashaka Croal, Jason Horwitch, Charles Murray. Com Mike Colter (Luke Cage / ...), Simone Missick (Detective Mercedes 'Misty' Knight), Theo Rossi (Hernan 'Shades' Alvarez), Alfre Woodard (Mariah Dillard), Jaiden Kaine (Zip), Rosario Dawson (Claire Temple), Ron Cephas Jones (Bobby Fish), Erik LaRay Harvey (Willis 'Diamondback' Stryker), Karen Pittman (Inspector Priscilla Ridley). IMDB.