Mad Max

Um dos primeiros filmes que aborda perseguições de carros e motos em estradas, amado pela sua geração a ponto de virar cult. Vou confessar, no entanto, que a primeira metade do filme hoje em dia é lenta e um tanto decepcionante. A abordagem realista do diretor George Miller é sabotada por ele próprio ao usar uma trilha sonora de suspense de ficção científica dos anos 60 e enfocar constantemente um corvo ou uma ave que se alimenta dos corpos deixados na estrada, criando uma fuga do drama da história, esse sim, sensível o suficiente para que prestemos atenção nas condições deploráveis da polícia daquela época e dos habitantes das cidades desérticas do que pode muito bem ser qualquer lugar onde o motorista senta do lado “errado” do carro. O “futuro” de Mad Max é muito mais os queridos anos 70, e não há a menor tentativa de futurizá-lo.

A atuação de Mel Gibson curiosamente não ajuda (como ele melhorou depois) e quem se sai melhor é seu colega Jim Goose (Steve Bisley) e o descontrolado líder de uma gangue de motociclistas Toecutter (Hugh Keays-Byrne, que estranhamente participa do recente Beleza Adormecida). Por esse motivo, quando a morte nas estradas vira motivo para descontrole emocional de ambos os lados (e essa é a melhor parte do filme), o personagem de Gibson (o Max do título) simplesmente é o mesmo do início do filme.

Mas ainda assim, pode-se dizer que Mad Max é uma obra acima da média. Contém momentos icônicos como a perseguição na floresta que termina no fatídico desfecho na estrada. E, claro, o close em um olho dos mais lembrados pela memória afetiva. Depois de uns 25 anos sem revisitá-lo, ainda me lembrava claramente como acidentes na estrada podem chocar para sempre.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2014-11-30 imdb