Mademoiselle Chambon

May 14, 2010

Imagens

Mademoiselle Chambon é daqueles filmes um tanto naturalistas, em que você precisa prestar atenção, mas não muita, para perceber a relação sutil entre os personagens, e os acontecimentos poderiam ter sido narrados de eventos da vida real e não soariam fantásticos. A bem da verdade, o núcleo narrativo do filme de Stéphane Brizé com certeza já deve ter acontecido na realidade uma série de vezes. A virtude do filme é conseguir representar isso sem escandalizar em demasiado, se focando nos personagens.

Dito isto, é preciso ressaltar que a sexualidade do filme está bem escondida, mas é isso o que a mantém permanentemente presente, no ar. É como se quanto mais se escondesse o óbvio, mais ele insistisse em povoar nossas mentes, imaginando situações que circundam as conversas aparentemente despretensiosas e inocentes da professora de piano e do pai de um de seus alunos. Porém, ao entrar em cena elementos desses personagens – como a falta de instrução do pai – e detalhes sutis – como um toque insistente em um CD – fazem com que o desenrolar da história desencadeie não apenas no óbvio, mas um óbvio potencializado exatamente pelo que vimos durante todo o filme.

Wanderley Caloni, 2010-05-14. Mademoiselle Chambon. Mademoiselle Chambon (France, 2009). Dirigido por Stéphane Brizé. Escrito por Stéphane Brizé, Florence Vignon, Eric Holder. Com Vincent Lindon, Sandrine Kiberlain, Aure Atika, Jean-Marc Thibault, Arthur Le Houérou, Bruno Lochet, Abdellah Moundy, Michelle Goddet, Anne Houdy. IMDB.