Magic Mike

Os dias parecem meio pálidos, a noite um pouco mais brilhante. Não me cansei em nenhum momento de admirar o fascinante trabalho fotográfico de Steven Soderbergh, que altera a realidade à nossa volta com o propósito de mostrar o ponto de vista desses garotos que trabalham à noite em uma boate de strippers. Soderbergh obviamente também assina a direção (Traffic, Onze Homens e Um Segredo, Conduta de Risco) e a edição. Ele pega o roteiro do produtor Reid Carolin e adentra nesse mundo noturno em uma imersão profunda e inspiradora a respeito, curiosamente, de negócios. Meio uma mistura de Showgirls (Paul Verhoeven, 1995) com A Firma (Sydney Pollack, 1993), o showbusiness é visto de uma forma cínica. É quase uma crítica velada ao capitalismo selvagem que tudo compra (“escolas não servem para nada, vou colocar meu filho para assistir Mad Money todos os dias e ele vai ganhar rios de dinheiro”).

Mas os astros do filme com certeza são Channing Tatum, Olivia Munn, Alex Pettyfer e o icônico personagem de Matthew McConaughey. Tatum constrói uma persona dedicada em fazer sucesso como empresário, disposto a economizar sua vida inteira para ver realizado seu sonho de construir móveis personalizados. É um rapaz que já mostra sinais da idade, mas ainda dança como um Backstreet Boy ousado no palco. Pettyfer é seu lado jovem, quando começou, e sua irmã (Munn) é seu alterego analisando tudo isso do lado de fora (quando ela vai pela primeira vez na boate a vemos próxima da tela com o palco bem distante). McConaughey, por fim, representa o status máximo daquele negócio lucrativo, e ao mesmo tempo demonstra como para fazer uma omelete é preciso quebrar alguns ovos (desde que não sejam os seus). Todos estão à vontade em seus papéis. Os coadjuvantes ajudam a enriquecer ainda mais esse universo, como a personagem de Denise Vasi, que faz uma psicóloga.

A princípio Magic Mike lembra um filme antigo. Talvez pela fotografia, ou até pelo contexto retrô daquele clube de mulheres. No entanto, ao notar as referências modernas e o estilo das danças logo vemos que se trata de um presente bem atual. Isso não é acidental. E é o que o torna um trabalho irrepreensível do começo ao fim, digno de revisitas.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2015-02-15 imdb