Mapas para as Estrelas

David Cronenberg é ácido nesse filme que de forma adversa de Bling Ring de Sofia Copolla tenta montar um universo de celebridades onde a subsistência de egos monstruosos acaba gerando famílias disfuncionais, incesto, abuso infantil, esquizofrenia (ou sobrenatural, escolha um) e dezenas de referências ao próprio conteúdo que ataca (incluindo um ótimo de Carrie, a Estranha). Ele é voraz em alimentar seus personagens com atos inescrupulosos, mas falha em tentar construir algo a partir daí, preferindo se manter no seguro mundo do esotérico, ou até mesmo na licença poética dada a outras obras como Magnólia. Usa efeitos visuais sofríveis de propósito, e uma fotografia horrenda de tão digital, com uma abordagem novelística que daria inveja a um Almodóvar mais jovem. Com um elenco desbalanceado, com a excelente Julianne Moore, a repetitiva Mia Wasikowska, o esforçado John Cusack e o à vontade Evan Bird. Possui pontas de Olivia Williams e Robert Pattinson que complementam bem o universo. O roteiro é do polivalente Bruce Wagner, também produtor, diretor e ator (aqui ele faz uma ponta como motorista).

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-03-19 imdb