Marie e os Náufragos

Um filme que atravessa o indie usando uma metalinguagem Kaufmaniana, descobrindo seus personagens no percurso, realizando uma trama eficiente que, por mais absurda que seja, mantém sempre o interesse do espectador.

Tudo começa com Siméon, um rapaz desajustado que entra em um bar em Paris e é abordado casualmente por um viajante carente. Ambos cantam no karaokê e se despedem, deixando Siméon com uma triste notícia sobre o recém-amigo. A intensidade da cena muda de acordo com a versão que é tida como verdade, e é sobre isso o filme.

Cada um dos seus personagens se apresenta em um momento, quebrando a quarta parede e apresentando seu background. Como nos livros. E o filme é sobre um autor de livros, que faz uma pesquisa pessoal para descobrir novas histórias. A obsessão de Siméon e a do próprio escritor pela jovem Marie é o tema do filme/livro, mas o autor só vai descobrir isso até o final.

Com personagens um tanto bizarros (esse é o lado indie), como um amigo que se torna sonâmbulo durante um novo projeto para criação de uma música eletrônica, o diretor Sébastien Betbeder faz aqui uma comédia divertida, leve, que utiliza o que tem ao seu redor para criar um universo característico, que enxerga detalhes nas pessoas que atravessa – como a recepcionista do hotel, sempre ouvindo hip hop – e se importa com elas, pelo menos em mostrar que elas existem, estão lá, mesmo que sejam passageiras e não tenham muita relação com a trama principal (exceto, claro, a música).

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-10-28. Marie e os Náufragos. Marie et les naufragés (France, 2016). Dirigido por Sébastien Betbeder. Escrito por Sébastien Betbeder. Com Pierre Rochefort (Siméon Forest), Vimala Pons (Marie Andrieu), Eric Cantona (Antoine), Damien Chapelle (Oscar), André Wilms (Cosmo), Emmanuelle Riva (Suzanne), Wim Willaert (Wim), Didier Sandre (L'éditeur), Kt Gorique (La jeune fille de 'La Jetée'). imdb