Marie e os Náufragos

Um filme que atravessa o indie usando uma metalinguagem Kaufmaniana, descobrindo seus personagens no percurso, realizando uma trama eficiente que, por mais absurda que seja, mantém sempre o interesse do espectador.

Tudo começa com Siméon, um rapaz desajustado que entra em um bar em Paris e é abordado casualmente por um viajante carente. Ambos cantam no karaokê e se despedem, deixando Siméon com uma triste notícia sobre o recém-amigo. A intensidade da cena muda de acordo com a versão que é tida como verdade, e é sobre isso o filme.

Cada um dos seus personagens se apresenta em um momento, quebrando a quarta parede e apresentando seu background. Como nos livros. E o filme é sobre um autor de livros, que faz uma pesquisa pessoal para descobrir novas histórias. A obsessão de Siméon e a do próprio escritor pela jovem Marie é o tema do filme/livro, mas o autor só vai descobrir isso até o final.

Com personagens um tanto bizarros (esse é o lado indie), como um amigo que se torna sonâmbulo durante um novo projeto para criação de uma música eletrônica, o diretor Sébastien Betbeder faz aqui uma comédia divertida, leve, que utiliza o que tem ao seu redor para criar um universo característico, que enxerga detalhes nas pessoas que atravessa – como a recepcionista do hotel, sempre ouvindo hip hop – e se importa com elas, pelo menos em mostrar que elas existem, estão lá, mesmo que sejam passageiras e não tenham muita relação com a trama principal (exceto, claro, a música).

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-10-28 imdb