Marty

Wanderley Caloni, March 6, 2012

O que faz Marty ser um filme tão marcante parece ser os mesmos motivos que fizeram com que Laços Humanos, clássico de Elia Kazan, hoje fosse imortalizado. O fato é que, apesar do dramalhão quase mexicano envolvendo a família e os amigos do personagem-título, as atuações e os diálogos — principalmente entre Ernest Borgnine e Betsy Blair — tornam muito difícil não gostar de uma história tão humana e tão sensível.

Ainda assim, é preciso deixar claro que os estereótipos estão aí exatamente para rirmos deles, e não como vemos nos dias de hoje personagens unidimensionais comportando-se como se fossem importantes. Dessa forma, a tia pessimista e agourenta não é mais que uma caricatura, mas que exatamente por ser tão comum em qualquer família, é identificada rapidamente pelo nosso processo de identificação e auto-encaixe.

Da mesma forma ocorre com todos os outros personagens e com as situações, o que de certa forma transforma a experiência em algo próximo de uma fábula, e exatamente como o trabalho de Kazan, que explora as vicissitudes da pobreza e a fortaleza na estrutura familiar, aqui temos a batida história do filho mais velho que começa a envelhecer do lado da mãe e que aparentente não consegue encontrar nenhum partido para juntar os trapos. Sentimos todas as angústias e preocupações de Marty, e entendemos com isso a felicidade do rapaz quando este consegue finalmente encontrar alguém com quem conversar.

É com uma estrutura orgânica e fluida que o diretor Delbert Mann — que parece ter feito dezenas de trabalho para a TV e o Cinema — consegue manipular facilmente nossas emoções e nossa empatia com o rapaz. E é com uma facilidade incrível com que o filme consegue ser transposto quase 50 anos depois e manter praticamente os mesmos efeitos benéficos que o imortalizaram. E muito provavelmente direi o mesmo daqui a 50 anos.

Imagens e créditos no IMDB.
Marty ● Marty. Marty (USA, 1955). Dirigido por Delbert Mann. Escrito por Paddy Chayefsky. Com Esther Minciotti, Augusta Ciolli, Joe Mantell, Karen Steele, Jerry Paris, Betsy Blair, Ernest Borgnine, James Bell, Joe Bell. ● Nota: 5/5. Categoria: movies. Publicado em 2012-03-06. Texto escrito por Wanderley Caloni.


Quer comentar?