Martyrs

Mar 31, 2016

Imagens

Um terror mais sobre ideias, embora recheado de violência. Utilizando uma premissa simples e um desenvolvimento econômico, Martyrs não precisa contar muito sobre seus personagens, embora se tornaria muito mais palatável do que a velha aposta no sofrimento genérico em seres humanos que acabamos de conhecer e não sabemos nada sobre eles.

Esse é mais um remake de terror estrangeiro – no caso, francês – feito em Hollywood para contar uma história já universal. Sua crítica, ou sua digressão, a respeito da dor e sofrimento infringidos à raça humana graças à religião e outras ideologias que tratam indivíduos como seres descartáveis sacrificados por um bem maior – em uma época de efervescência política, não precisa ir muito longe para enxergar o nazismo, o fascismo, o socialismo e o comunismo representados – é seu ponto forte, já que seu roteiro parcialmente manipulativo e seu velho jogo de “é sobrenatural ou não” divertem, mas não impressionam.

Sendo assim, a amizade de duas jovens órfãs, e o trauma que uma delas carrega por uma década, sendo amparada pela outra, poderia ser melhor desenvolvido. Não é. Mas, mesmo assim, o que se passa depois desses dez anos é deliciosamente surpreendente, por fazer parte de um jogo simples, mas brutal, e que faz pensar, e muito, depois que o filme acaba.

Porém, antes disso, há uma reviravolta particularmente inspiradora envolvendo uma família e sua casa, que é mostrado com uma energia contagiante. Há violência, e muita, mas gráfica, mesmo, quase nenhuma. Claro, os closes e a profundidade de campo rasa torna tudo meio conturbado sem muito o que ver, mas não deixa de ser uma experiência atordoante justamente por causa disso. E a presença de um ente maligno é menos aterrorizante do que a revelação de quem criou esse trauma.

Uma direção interessante dos irmãos Goetz que compensa um roteiro bacana, mas que gera soluções fáceis demais em seu terceiro ato. A trilha sonora é parte itinerante nesse circo de horrores, onde, assim como a série American Horror Story, o maior horror é a capacidade humana de fazer o mal.

Wanderley Caloni, 2016-03-31. Martyrs. Martyrs (USA, 2015). Dirigido por Kevin Goetz, Michael Goetz. Escrito por Pascal Laugier, Mark L. Smith. Com Troian Bellisario, Bailey Noble, Kate Burton, Caitlin Carmichael, Melissa Tracy, Romy Rosemont, Toby Huss, Elyse Cole, Ever Prishkulnik. IMDB. Em breve crítica no CinemAqui.