Max Steel

2017/01/11

Apesar de frequentemente ruins, tenho uma queda por fan films que “abraçam a causa”, que é homenagear o herói/personagem/brinquedo que tanto curtem. No caso deste novo filme da Mattel, a produtora do brinquedo Max Steel (que já tem séries e curtas de animação até dizer chega), é óbvio que se trata de um caça-níqueis, e portanto encarada como um projeto profissional. Porém, o resultado é um filme sem a paixão de um fan film e também sem a qualidade de um filme comercial. É um filme que contém o pior de dois mundos, não conseguindo nem gerar a risada do ridículo ou o ódio do estúpido. O único ódio possível de sentir assistindo a Max Steel é estar perdendo o tempo com uma produção tão defeituosa.

O roteiro de Christopher Yost oscila entre o caricato, o medíocre e o simplesmente patê, mesmo. Ele conta a história de Max, um garoto que se muda com a mãe constantemente. Dessa vez eles voltam para sua cidade natal, onde Max é quase atropelado por uma bela garota que acaba gostando do garoto imediatamente, levando ele pra todos os lugares em sua caminhonete estilosa. Enquanto isso, o rapaz sente em suas mãos a vinda da puberdade, mas não da maneira maliciosa que você está pensando. Ele tem o poder de quebrar celulares e distorcer a imagem de TVs agitando as mãos e olhando incrédulo para elas. Ele também possui o dom de nunca conseguir mudar a expressão de sua face (cortesia do desempenho medíocre-pra-péssimo do ator Ben Winchell). Sua cara permanece boquiaberta seja descobrindo o que pode fazer com as mãos (hum) ou quando um robô-drone-alienígena invade o banheiro do seu quarto e diz que veio para protegê-lo de forças do mal.

O diretor Stewart Hendler parece também dificultar nosso entretenimento. Provavelmente com um orçamento limitado, Hendler esconde muito mais do que mostra. Porém, a forma dele esconder é mais amadora do que um fan film. Não se trata de efeitos de cgi capengas, mas de uma câmera que treme loucamente e uma edição igualmente frenética. Dessa forma, quando o robozinho foge do complexo onde era mantido sob monitoração não conseguimos ver nada além de pessoas correndo, coisas caindo e explodindo. A orientação visual de Hendler está quase sempre equivalente a de uma pessoa tendo uma crise de epilepsia, mas sempre conseguindo se levantar e tentar de novo. Até quando estamos em um escritório vendo uma maquete parada em cima de uma mesa é impossível descobrir o formato do objeto, já que o uso constante de zooms in e out, além de uma perda de foco impressionante, torna tudo uma experiência enfadonha, pois somos obrigados a confiar mais nos diálogos do que no que vemos (e os diálogos, diga-se de passagem, são igualmente péssimos, do nível “vamos dar ao inimigo o que ele quer”).

Max Steel não é um filme fácil. Ele não possui praticamente nenhum atrativo em seu elenco (exceto a surpresa de ver Andy Garcia sério e mais uma vez gordo), nenhuma sequência digna de nota e nenhum acontecimento em seu roteiro que consiga ser minimamente interessante. Tudo segue a linha interminável de clichês de filmes sobre origem de super-heróis – brinquedos ou não – mas pega apenas o que há de pior nesses filmes. O resultado não é uma bagunça divertida de um filme trash, mas a mecanicidade de um projeto contratado cujos idealizadores não estão nem aí para o que isso vai dar. E nesse sentido, talvez fosse melhor dar dinheiro a um bando de fãs empolgados para fazer o seu filminho. O resultado poderia ser substancialmente melhor.

★☆☆☆☆ Título original: Max Steel. País de origem: UK. Ano 2016. Direção: Stewart Hendler. Roteiro: Christopher Yost. Elenco: Ben Winchell (Max McGrath). Josh Brener (Steel). Maria Bello (Molly McGrath). Andy Garcia (Dr. Miles Edwards). Ana Villafañe (Sofia Martinez). Mike Doyle (Jim McGrath). Phillip DeVona (Harkins). Billy Slaughter (Murphy). Al Mitchell (Dr. Smith). Edição: Michael Louis Hill. Fotografia: Brett Pawlak. Trilha Sonora: Nathan Lanier. Duração: 92. Gênero: Action. Tags: cabine

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