Max Steel

Apesar de frequentemente ruins, tenho uma queda por fan films que “abraçam a causa”, que é homenagear o herói/personagem/brinquedo que tanto curtem. No caso deste novo filme da Mattel, a produtora do brinquedo Max Steel (que já tem séries e curtas de animação até dizer chega), é óbvio que se trata de um caça-níqueis, e portanto encarada como um projeto profissional. Porém, o resultado é um filme sem a paixão de um fan film e também sem a qualidade de um filme comercial. É um filme que contém o pior de dois mundos, não conseguindo nem gerar a risada do ridículo ou o ódio do estúpido. O único ódio possível de sentir assistindo a Max Steel é estar perdendo o tempo com uma produção tão defeituosa.

O roteiro de Christopher Yost oscila entre o caricato, o medíocre e o simplesmente patê, mesmo. Ele conta a história de Max, um garoto que se muda com a mãe constantemente. Dessa vez eles voltam para sua cidade natal, onde Max é quase atropelado por uma bela garota que acaba gostando do garoto imediatamente, levando ele pra todos os lugares em sua caminhonete estilosa. Enquanto isso, o rapaz sente em suas mãos a vinda da puberdade, mas não da maneira maliciosa que você está pensando. Ele tem o poder de quebrar celulares e distorcer a imagem de TVs agitando as mãos e olhando incrédulo para elas. Ele também possui o dom de nunca conseguir mudar a expressão de sua face (cortesia do desempenho medíocre-pra-péssimo do ator Ben Winchell). Sua cara permanece boquiaberta seja descobrindo o que pode fazer com as mãos (hum) ou quando um robô-drone-alienígena invade o banheiro do seu quarto e diz que veio para protegê-lo de forças do mal.

O diretor Stewart Hendler parece também dificultar nosso entretenimento. Provavelmente com um orçamento limitado, Hendler esconde muito mais do que mostra. Porém, a forma dele esconder é mais amadora do que um fan film. Não se trata de efeitos de cgi capengas, mas de uma câmera que treme loucamente e uma edição igualmente frenética. Dessa forma, quando o robozinho foge do complexo onde era mantido sob monitoração não conseguimos ver nada além de pessoas correndo, coisas caindo e explodindo. A orientação visual de Hendler está quase sempre equivalente a de uma pessoa tendo uma crise de epilepsia, mas sempre conseguindo se levantar e tentar de novo. Até quando estamos em um escritório vendo uma maquete parada em cima de uma mesa é impossível descobrir o formato do objeto, já que o uso constante de zooms in e out, além de uma perda de foco impressionante, torna tudo uma experiência enfadonha, pois somos obrigados a confiar mais nos diálogos do que no que vemos (e os diálogos, diga-se de passagem, são igualmente péssimos, do nível “vamos dar ao inimigo o que ele quer”).

Max Steel não é um filme fácil. Ele não possui praticamente nenhum atrativo em seu elenco (exceto a surpresa de ver Andy Garcia sério e mais uma vez gordo), nenhuma sequência digna de nota e nenhum acontecimento em seu roteiro que consiga ser minimamente interessante. Tudo segue a linha interminável de clichês de filmes sobre origem de super-heróis – brinquedos ou não – mas pega apenas o que há de pior nesses filmes. O resultado não é uma bagunça divertida de um filme trash, mas a mecanicidade de um projeto contratado cujos idealizadores não estão nem aí para o que isso vai dar. E nesse sentido, talvez fosse melhor dar dinheiro a um bando de fãs empolgados para fazer o seu filminho. O resultado poderia ser substancialmente melhor.

★☆☆☆☆ Wanderley Caloni, 2017-01-11 imdb