Memórias de um Assassino

Memórias de um Assassino, do diretor Joon-ho Bong (O Hospedeiro, Mother - A Busca Pela Verdade), compreende que a principal faceta de uma investigação pode estar muitas vezes nos próprios investigadores. Apostando em nossa identificação com os detetives Park Doo-Man (Kang-ho Song) e Seo Tae-Yoon (Sang-kyung Kim), investe na dinâmica entre os dois desde até antes que o primeiro chegue na pequena cidade para ajudar as autoridades locais a desvendar o estupro e assassinato de duas bonitas jovens.

Infelizmente, muito do que se gostaria de saber sobre esses dois personagens fica mais oculto do que o próprio assassino. Nunca entendemos a real motivação de Park Doo-Man ter saído de Seul e nunca chegamos realmente a sermos justificados pelos atos de crueldade e manipulação dos suspeitos de Sang, forçando-se de todo o jeito a encontrar um culpado pelos assassinatos, mesmo que este nunca seja realmente incriminado.

O que nos sobra é a investigação em si, que se aproveita sim da psique dos dois policiais, mas consegue nossa atenção por mais de duas horas de uma busca frustrada exatamente pela criação de um ritmo que oscila de maneira competente entre o humor e o suspense. Acompanhamos cada pista e cada incidente como se fizéssemos parte daquele grupo, e perdemos e reganhamos as esperanças exatamente como eles.

Mantendo a coerência narrativa até o fim, um ato se extrema honestidade com o espectador — ainda que muitos possam não gostar da ideia —, Memórias de um Assassino inverte nossas expectativas a todo o momento, misturando realismo e fantasia frequentemente. O final pertence ao campo do realismo, o que não o torna melhor nem pior que outros filmes do gênero, mas sim extremamente honesto.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2013-01-01 imdb