Mente Criminosa

Esse é um filme de ação com ideias, o que é uma excelente notícia. Acostumado a explosões descerebradas, o gênero já foi muito judiado. Esse trabalho ambiciona usar sua premissa de ficção-científica para discutir política e filosofia, levantando questões interessantíssimas, como personalidade, a essência do indivíduo, e, de quebra, a natureza e a função inerentemente violenta do estado.

Com um pilar de ator como Kevin Costner, que consegue a proeza de viver um ser extremamente violento e ainda assim trazer um pouco de humanidade ao sujeito, o projeto ainda contém o camaleão Gary Oldman como a cara do estado, para quem não existem limites e cujos fins justificam os meio, e o sempre bem-vindo Tommy Lee Jones, como a ciência como ela é: amoral e interessada sempre nos resultados de seus experimentos (embora melhor justificada que o estado, a ciência aqui não parece ser uma versão inocente, mas cooptada pelo estado, e portanto direcionada aos seus interesses escusos).

Ele conta a história de um homem que possui as memórias de dois dentro de sua mente. Se por um lado ele foi por toda sua vida um criminoso inconsequente e anti-social, agora ele carrega as lembranças de um pai de família, ex-agente da CIA, que pode tornar sua personalidade mais humana.

Porém, este é o herói. O vilão, o estado, é um ser igualmente esquizofrênico, pois se preocupa apenas em sua própria manutenção, nem que para isso tenha que sacrificar parte de suas vidas e parte de seus supostos princípios, como a liberdade individual. Bom, nós vemos um preso ser cobaia de um experimento altamente perigoso, e ninguém pediu sua permissão para nada.

Conseguindo em um filme de ação discutir tanto política quanto filosofia, ainda sobra tempo para umas boas perseguições e explosões. Costner está extasiante, e é um prazer observar a curva de seu personagem, mesmo em um roteiro um tanto burocrático demais.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-04-07 imdb