Os Mercenários 3

A série Mercenários tem um objetivo bem claro e um público-alvo definido: os fãs dos filmes de ação dos anos 80, onde eu me incluo. Queremos ver esses caras de novo, de preferência todos juntos. Queremos a maior reunião de testosterona jamais feita. Queremos explosões, lutas e cenas de tirar o fôlego.

E hoje em dia, com tantos recursos digitais, convenhamos: não é pedir demais. Ainda mais encabeçado por grandes nomes como Arnold Schwarzenegger, Mel Gibson, Antonio Banderas, Harrison Ford e, claro, Sylvester Stallone. Porém, depois de três filmes, os fãs de Cinema como eu ainda aguardam ansiosamente por uma história que tenha o mínimo de razão para existir e por sequências de ação que não se limitem em derrubar o esconderijo secreto de um ditador que usa um auto-retrato ridículo espalhado por todos os cantos (ainda que derrubar um portão com um trem em alta velocidade seja um negócio bem divertido).

Dessa vez a trupe ganha um novo membro especialista em facas: o óbvio Wesley Snipes. Conhecido pela série Blade, ele faz parte da primeira brincadeira interna que apenas serve para nos tirar do filme e nos lembrar que o que vemos não são personagens, mas os trejeitos de atores conhecidos. Uma pena é que justo as brincadeiras que funcionam, como a rivalidade entre “Blade” e o inglês Jason Statham, não são levadas adiante. A impressão que fica é que o roteiro foi moldado e retorcido de acordo com as exigências de cada super-star e suas breves aparições.

No entanto, há uma tentativa de história aí, sendo um dos lados bons da série a sua constante renovação de diretores. Mel Gibson faz o papel de Stonebanks, um vilão sem escrúpulos – pelo menos olhando para seu dossiê – e convenientemente é o próximo alvo dos Mercenários. O que “Sly” descobre é que Gibson foi um dia um membro da equipe, mas decidiu se rebelar para lucrar mais, embora agora seja traidor da sua pátria. Vendo mercenários discutindo sobre honra e patriotismo deixa claro que o forte em Os Mercenários 3 não são as discussões políticas. Ainda bem.

Tentando criar uma espécie de drama, um dos colegas feridos faz com que Barney Ross – ah, o personagem do Sly – desative a equipe com medo de perder mais amigos. Em contraparte, vai em uma caça por novos talentos e apresenta novas caras até para o Cinema, como Ronda Rousey, lutadora de MMA que se limita a fazer um rosto mal-encarado e bufar pelos cantos. Junto da única personagem feminina também estão o boxeador Victor Ortiz e um rostinho bonito da série Crepúsculo Kellan Lutz (tem algo muito errado nessa junção de gêneros). Os roteiristas Creighton Rothenberger, Katrin Benedikt e Sly mostram que estão dispostos a qualquer tipo de brincadeira com o mundo real para acabar com o fiapo de história que restou.

Porém, mesmo se formos analisar pelo lado da ação, o filme também deixa a deseja até para os dois anteriores, onde o segundo talvez se encaixe entre os melhores. Tentando construir seu clímax com a ajuda de um número absurdo de tanques dispostos a atirar em um edifício já recheado de bombas, as sequências são longas e cheias de reviravoltas que voltam para o mesmo lugar, nos recordando da péssima criatividade dos roteiristas da série. O fato de nenhum personagem importante se machucar ou diminuir sua agilidade, apesar de juntos parecerem ter séculos de existência, também não ajuda.

Mercenários 3 se torna um misto de emoções paradoxalmente opostas. Por um lado, é muito bom que todos esses atores se juntem para tentar fazer algo juntos e demonstrem que não estão tão velhos para a ação. Por outro lado, é sempre decepcionante encontrar os mesmos clichês e que hoje convergem para um Red: Aposentados e Perigosos piorado.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-01-23. Os Mercenários 3. The Expendables 3 (USA, 2014). Dirigido por Patrick Hughes. Escrito por Sylvester Stallone, Creighton Rothenberger, Katrin Benedikt, Sylvester Stallone, Dave Callaham. Com Sylvester Stallone, Jason Statham, Harrison Ford, Arnold Schwarzenegger, Mel Gibson, Wesley Snipes, Dolph Lundgren, Randy Couture, Terry Crews. imdb