Merlí

Aug 6, 2018

Imagens

Merlí de Héctor Lozano segue uma cartilha de novela moderada, onde seus personagens nunca se transformam em algo diferente do que são, mas coisas do cotidiano acontecem a eles para movimentar uma história em torno de um professor de filosofia.

Sobre filosofia, a série não é didática porque suas aulas já não o são desde o princípio. Se quer aprender quem eram os peripatéticos (citados no piloto da série) que pesquise na Wikipédia. Elas também não são tensas, questão de vida ou morte, como parece a quem discute filosofia empolgado com os grandes temas do conhecimento humano. Mas na vida real é assim, e é aí que reside um dilema: esta é uma série correta sobre filosofia porque filosofia é basicamente como lidamos com nossos problemas reais (embora muitos debatam empolgados temas irreais de intelectualidade, se convencendo no processo de absurdos impraticáveis, como, por exemplo, que comunismo é uma boa ideia).

Mas se a historinha em torno de “Merlí” é tão pé no chão, por que é um porre assisti-la? Bom, em primeiro lugar porque os problemas dos seus personagens secundários não nos interessam, pois não foram apresentados; são estudantes genéricos. Em segundo lugar porque seu ritmo é lento, seguindo a cartilha novelesca, de esticar o drama até o fim dos tempo. E em terceiro lugar porque sua estrutura é esquemática; sempre esperamos que coisas aconteçam, os alunos gostam do professor, ele é polêmico, etc, mas nada na história nos leva a nos envolver com seus personagens. Nem o próprio personagem-título que, interpretado pelo talentoso Francesc Orella, é cativante, sim, mas não possui o desajuste social que se espera de alguém que veio para balançar os alicerces da educação na escola.

Wanderley Caloni, 2018-08-06 IMDB.