Minha Vida de Abobrinha

Jan 27, 2017

Imagens

Esta é uma animação em stop-motion irretocável, com um tema lúdico de cores e formatos belíssimos, texturas criativas e movimentos perfeccionistas. Tem pouco mais de uma hora de duração e durante todo esse tempo impressiona pelos seus dotes artísticos. Porém, como narrativa, peca, e muito. É simplório, bobinho, limitado. Assim como o bobo O Menino e o Mundo, que converte ideologias em fatos através dos olhos de uma criança – talvez maior covardia não exista – Minha Vida de Abobrinha nos remete a criaças em um orfanato que parecem ter saído das “fanfics” da esquerda, onde vemos pequeninos de seis anos levantando em um ônibus lotado de adultos recitando sermões com palavras que não conhecem e motivos que apenas adultos entenderiam. Tem uma criança que teve seu pai preso por roubar uma loja. Desde então ele não gosta de policiais. Detalhe: ele tentou roubar uma loja para comprar tênis para seu filho. Sim, esse é o nível de manipulação. E infelizmente ele está presente em um filme sem maiores tensões que a vida “como ela é”, e dentro de um universo criado com muito esmero.

Wanderley Caloni, 2017-01-27. Minha Vida de Abobrinha. Ma vie de Courgette (Switzerland, 2016). Dirigido por Claude Barras. Escrito por Gilles Paris, Céline Sciamma, Germano Zullo, Claude Barras, Morgan Navarro. Com Gaspard Schlatter (Courgette), Sixtine Murat (Camille), Paulin Jaccoud (Simon), Michel Vuillermoz (Raymond), Raul Ribera (Ahmed), Estelle Hennard (Alice), Elliot Sanchez (Jujube), Lou Wick (Béatrice), Brigitte Rosset (Tante Ida). IMDB. Em breve crítica no CinemAqui.