Missão Madrinha de Casamento

Bridesmaids poderia ser citado na cinematografia atual apenas por ser uma comédia romântica que tem o foco unicamente nas mulheres e em seu universo feminino. Não há em seu núcleo a busca pelo marido perfeito, pois nossa protagonista não é aquela mocinha inocente que costuma aparecer nesses filmes (e, francamente, depois dos 21 anos seria forçar demais a barra acreditar que uma mulher dessas existiria hoje em dia salvo produções da Disney — como o próprio longa ironiza). No entanto, ser diferente é o que menos importa quando o resultado final é tão bem explorado e conduzido, tornando-o também o filme que dá esperanças a esse gênero tão batido e surrado.

A história gira em torno de Annie Walker (Kristen Wiig), que é convidada por sua melhor amiga de infância a ser sua “madrinha de honra”, ou seja, entre as madrinhas, a que irá organizar todos os inúmeros eventos que regem esse ritual conhecido como casamento. O detalhe é que sua estrutura emocional de Annie nesse momento não é das melhores: pobre de relacionamentos afetivos (no máximo um amigo de foda ocasional) e recursos para se manter independente (mais uma vítima da recente crise). Como se não bastasse, uma das madrinhas (Rose Byrne, que faz a possessiva Helen) começa uma disputa que irá desgastar Annie até um colapso nervoso. Não só isso: o colapso faz parte do próprio espectador nesse momento.

No entanto, há momentos engraçados em Bridesmaids. Caso não houvesse, morreríamos de colapso nervoso antes da metade da projeção. E há momentos realmente hilários que já fazem parte do meu cabedal de momentos históricos da comédia, como a sequência envolvendo um pós-almoço escatológico na medida certa. Ainda assim, esses momentos estão dentro do previsto e não desmerecem o drama que se constrói entre as risadas.

Tudo isso devido a uma interpretação sem ressalvas de Kristen Wiig, que também assina o roteiro e derruba como poucas o delírio que as mulheres são objetos manipulativos sem livre arbítrio. O filme (e ela) as humaniza, mas não em detrimento de um homem, mas como um ser humano dotado de emoções e que não precisa de ninguém para se tornar completa. É ela sozinha que destrói sua vida por todos os lados, e é ela sozinha que terá que reavê-la. Esse arco dramático funciona tão bem no filme porque não há nenhum diálogo que nos explica o que está acontecendo. Apenas observe os acontecimentos e se coloque na sua posição. Não é algo muito difícil de fazer se você tirar o machismo da sua frente.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2013-12-14 imdb