Mob Psycho 100 (2018)

May 27, 2018

Imagens

Eu assisti com meu cunhado o primeiro (talvez o segundo) episódio da versão anime deste mangá idealizado por One, o mesmo responsável por One Punch Man. Há claramente elementos coincidentes na “filmografia” de One, como o herói não-convencional que é poderoso mas não se gaba de seu poder, e além disso ainda tem problemas cuja solução não envolve em nada o uso de seu poder. O anime de Mob Psycho 100 se beneficia dos traços minimalistas já vistos em One Punch Man, mas no caso de One Punch a crítica aos animes de seres super-poderosos é visceral. Já na versão live action produzida em conjunto com a Netflix, o que vemos é uma tradução ipsis literis do anime com enquadramentos exatos e atores de carne e osso que fazem o máximo para emular o anime. O que me leva a reafirmar minha crença que fãs de animes que gostam de visualizar versões live action são das opções possíveis ou 1) fetichistas fãs de cosplay (masculino e feminino), 2) retardados.

Porque a versão do anime já possui todos os elementos da história original, fora que o universo fantástico onde a história se passa se beneficia com o desenho. Com atores reais a coisa meio que se torna deliciosamente estilizada mais graças a um figurino e um elenco que vive seus personagens quadro-a-quadro e menos pelos efeitos visuais, capengas, feitos para TV, que mostram um espírito verde musculoso quando no Cinema 20 anos atrás isso já era vergonhoso.

Sim, é uma baixa produção feita com o intuito de chamar a atenção dos fãs de anime que, como citei no parágrafo acima, por algum motivo parecem ter necessidade de ver seus sonhos antropomorfizados em atores (e atrizes, como as belas novinhas desta série) de carne e osso. Não me leve a mal: eu tenho fetiche por colegiais japonesas (e quem não tem?). Mas do ponto de vista artístico há uma lacuna a ser preenchida nessas adaptações que nunca é: a criação de algo verdadeiramente novo para a arte cinematográfica.

O ator que faz Mob, Tatsuomi Hamada, o abraça quadro-a-quadro e vira um personagem de anime. O que não é difícil, com seu figurino simples e corte de cabelo característico (vemos como One é obcecado por designs de protagonistas chapados que tiram todo seu poder como seres humanos). A história segue seu rumo normal e quase não há vergonhas alheias, exceto o vilão loiro dessas séries, que já é antiquado, batido, e não percebeu que esta não é uma crítica, mas uma simples imitação do estereótipo que hoje em dia mais chateia que empolga. Não é mais tão engraçado ver um vilão dando risadas macabras e falando como ele é poderoso e talz. Alguém ainda acha isso engraçado?

Mob Psycho também tenta criar subplots com o mestre do protagonista, a fundadora do Clube de Telepatia, seu irmão, o Clube de Musculação, etc. E todos eles falham muito miseravelmente perto da simplicidade do plot do próprio Mob, que é direto e fascinante mesmo sem nada ser feito. Todos os movimentos de face, braço, exageros teatrais, soam bobos e infantis. Isso porque apenas através do anime o exagero dos traços é recompensado. Aqui é apenas mais e mais vergonha alheia.

Wanderley Caloni, 2018-05-27. Mob Psycho 100. Teleplay por Kei Kunii e Reiko Yoshida baseados no mangá de One. Com Tatsuomi Hamada, Atsushi Arai, Masayuki Deai. IMDB.