Monty Python O Sentido da Vida

Os comediantes do Monty Python parecem sempre querer se superar. Em O Sentido da Vida, apesar de estarmos vendo diversas esquetes — no melhor estilo do seu programa televisivo The Flying Circus — elas se juntam para tentar explicar, do nascimento à morte, qual é, enfim, o sentido da vida? Pegando emprestados alguns temas mais ou menos comuns com o livro (e pequeno filme) O Guia do Mochileiro das Galáxias, o filme inicia com um pequeno curta (que se juntará ao longa em determinado momento) que consegue, assim como a montagem Eisensteiniana, relacionar um grupo de contadores velhinhos de uma empresa de seguros durante a crise econômica dos ano 80 com um motim dos escravos de um navio.

Alguns números musicais ficarão para sempre na memória como o máximo da crítica e arte e divertimento no mesmo pacote. Como esquecer o coro de crianças cantando que “cada espera conta, cada esperma faz o trabalho”? E como tirar da memória a visão daquele senhor imenso que vai ao restaurante comer e vomitar? Por outro lado, a comédia surreal do grupo britânico atinge seu ápice em dois momentos distintos: a visão cósmica de como somos pequenos e insignificantes e a “reimaginação” do paraíso como um show musical televisivo.

Tudo na vida é motivo de chacota para Monty Python. Se esse não é o verdadeiro significado da vida, não sei mais o que é.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2014-05-10 imdb