Mr. Holmes

Ian McKellen protagoniza um Sherlock Holmes no fim de sua vida, se divertindo no processo com expressões de um velho quase senil, aposentado após um caso que se arrepende de seu desfecho, embora não se lembre mais qual foi. Tudo o que resta são pequenas pistas e flashes que surgem conflitando com a versão ficcional de seu amigo já falecido, Dr. Watson. Acompanhado de seu jovem amigo Roger (Milo Parker), filho da governanta (Laura Linney), tenta escrever a versão real da história que causou sua aposentadoria.

Alguns detalhes do roteiro de Jeffrey Hatcher, baseado no romance de Mitch Cullin, são curiosidades, como o fato de Watson ter utilizado um falso endereço ao escrever as aventuras com o amigo, ou o fato dele nunca ter usado o chapéu descrito nos livros, e por ter desistido de fumar cachimbo depois que isto virou sua marca registrada. Aliado a isso, a direção de Bill Condon (A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Partes 1 e 2) entrega o que o romance original provavelmente é: um retrato melancólico dos últimos dias de sanidade do detetive mais famoso da literatura e do Cinema. Talvez o único momento realmente cômico da obra seja quando vemos Mr. Holmes assistindo um filme baseado em um de seus livros, e se diverte com a falta de verossimilhança consigo mesmo. “Talvez não eu não seja mais o Real Sherlock Holmes”, diz para seu amigo. Depois que os livros foram publicados, como isso influencia a persona em que eles foram baseados é mais uma curiosidade interessante.

Lento, pretencioso um pouco acima do que deveria, com uma trilha sonora irritante, Mr. Holmes é uma decepção visto pelas expectativas de seu protagonista ser quem é, mas um drama eficiente em chamar atenção para os detalhes de suas poucas histórias que vivem nas memórias de seu heroi. Infelizmente, a despeito do ótimo esforço de Ian McKellen, esses detalhes não criam nem de perto um retrato fiel do que gostaríamos de ver.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-12-27 imdb