Mr. Peabody e Sherman

Peabody (Ty Burrell) é um cão super-inteligente que nunca foi adotado por não se comportar como um pet convencional. Depois de ter ajudado a sociedade com uma série de invenções resolve adotar um garotinho, Sherman (Max Charles), o que gera algumas críticas da mesma sociedade que ajudou depois de uma briga na escola envolvendo seu filho. Se essa última frase, que envolve dizer que um garoto é filho de um cão, te incomoda, Mr. Peabody e Sherman é exatamente o filme que tenta quebrar esse estigma: a adoção de crianças por homossexuais. Sim, uma animação para crianças consegue levantar questões extremamente adultas de uma maneira super-divertida.

Um detalhe ainda não mencionado é que o Sr. Peabody tem uma máquina do tempo, e é assim que Sherman costuma aprender sobre História. Embora iniciando a “aventura” da dupla com uma sequência boba em meio à Revolução Francesa, ela é importante para determinar que a inteligência de Peabody é capaz de livrar ele e Sherman das maiores confusões com relativa facilidade. Facilidade essa que é colocada de lado nas próximas aventuras, onde os problemas que a dupla enfrente adquire um grau de dificuldade que nos deixa dúvidas se mesmo a inteligência do super-cão conseguirá gerar uma solução. E é isso que torna as sequências de ação sempre empolgantes, que mesmo que com uma trilha sonora das mais batidas possui invencionices o suficiente para entreter de forma inteligente (como quando Peabody engana os troianos com um presente em forma de cavalo).

Elevando nosso grau de descrença em alguns níveis durante todo o longa, e extrapolando um pouco mais durante seu terceiro ato, Mr. Peabody e Sherman é um filme que faz ótimas piadas de momentos e figuras históricas enquanto tenta no processo demonstrar como ter pais superprotetores pode ser um problema grave quando estes subestimam a capacidade de seus filhos. Melhor do que um filme com personagens inteligentes é um filme que não subestima a inteligência do seu espectador.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-01-01 imdb