Muita Calma Nessa Hora

Wanderley Caloni, November 20, 2010

Mari é constantemente assediada por seu chefe na agência publicitária onde trabalha; cansada de ser confundida com uma mulher fácil, decide não ficar mais com homem nenhum. Tita é a mulher certinha, virgem de um (o marido) homem só, mas que encontra seu noivo com outra em seu apartamento e, desacreditada, decide esquecer esse negócio de monogamia e partir pra tirar o atraso. Aninha, uma eterna indecisa, já trancou sete vezes a faculdade por nunca ter certeza do que quer fazer; sim, ela concorda com ambas as amigas; ao mesmo tempo.

Prestes a contar a aventura das três em uma lua-de-mel bem diferentes na praia de Búzios, no Rio de Janeiro, a história possui uma introdução rápida como nas comédias de televisão (como a cena da traição), empregando um ritmo eloquente com a juventude das personagens e usando de algumas artimanhas para desde o início distinguir a personalidade de cada uma de suas protagonistas: trilha sonora diferenciada e legendas a la Tarantino.

No caminho dessa história conhecemos os simpáticos e eficientes personagens secundários, como Estrela, a menina natureba e ingênua que busca se reencontrar com o pai, pescador, na mesma praia para onde as meninas estão indo. E personagens menores, que são muitos, e representam os velhos estereótipos que vemos em outros filmes do gênero (ou em programas humorísticos como Zorra Total): o mauricinho que adora suas bugingangas tecnológicas, o vendedor de bebidas gay que anima as festinhas da praia, o baiano maconheiro fã de Chiclete com Banana, e por aí vai a valsa.

Se estereótipos costumam ser sinônimo de piadas medíocres, não é isso que acontece em “Muita Calma”. A competência do elenco de apoio sustenta seus personagens e suas piadas na maioria das vezes; e se não divertem por mais tempo é devido aos muitos cortes bruscos que são feitos ou pela repetição da mesma piada diversas vezes, como na cena do vômito (clímax), seguida pela cena do carro (exagerada).

Aos poucos notamos uma certa necessidade do roteiro em tentar encarar mais profundidade nos conflitos dessas três jovens, exaltando visualmente seus problemas (e a troca do nome de Aninha para Soninha é icônica nesse sentido, pois demonstra claramente, e de forma divertida, a indecisão da garota até pelo próprio nome). Porém, como é de convir em comédias do gênero, as piadas nem sempre combinam com essa tentativa, muitas vezes o tom sério atrapalhando o cômico e vice-versa, enfraquecendo ambos os lados que o filme decidiu adotar.

Se, por um lado, é possível dar boas risadas com as situações e piadas criadas especialmente para nos fazer rir, o desfecho pediria um pouco mais de dramatização (com cenas forçosamente emotivas, como a conversa de Aninha sobre seu aniversário e suas frase de auto-ajuda seguida de música faça-chorar). Esse drama não existe; nem no filme, nem no espectador, que não está preocupado com o destino das jovens, mas envolto nas piadinhas espalhadas em episódicas cenas.

E se não existe essa necessidade de dramatizar uma comédia despretensiosa, pra que se preocupar? O bom mesmo é rir e se divertir com as partes boas, e deixar todo esse lero-lero de pseudo-conflitos existenciais no saquinho de pipoca.

Imagens e créditos no IMDB.
Muita Calma Nessa Hora ● Muita Calma Nessa Hora. Muita Calma Nessa Hora (Brazil, 2010). Dirigido por Felipe Joffily. Escrito por João Avelino, Augusto Casé, Rosana Ferrão, Bruno Mazzeo, Rik Nogueira. Com Marcelo Adnet, Gianne Albertoni, Marco Antônio Alves, Dudu Azevedo, Laura Cardoso, Louise Cardoso, Fausto Fanti, Thelmo Fernandes, Nelson Freitas. ● Nota: 4/5. Categoria: movies. Publicado em 2010-11-20. Texto escrito por Wanderley Caloni.


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