Mulheres Cineastas No Cinema

| Wanderley Caloni

January 3, 2019

Sempre por detrás das câmeras, os cineastas raramente se tornam famosos para o grande público. Apenas os cinéfilos mais antenados para dar atenção a quem dirige o filme, e mais raro ainda é encontrar alguém que sabe quem escreveu o roteiro. Isso contribui para que as diretoras mulheres, uma minoria que vem crescendo nos últimos anos, fiquem mais esquecidas ainda. Pense comigo: o público está acostumado a ver mulheres (e homens) como atrizes (e atores) interpretando seus personagens favoritos, mas dificilmente se lembra que os diretores e diretoras dos filmes possuem também gênero (não que isso importe).

Dessa forma a ilusão que não existem diretoras mulheres de referência de perpetua, pois os livros de referência sobre cinema dificilmente irão incluir cineastas mais recentes. E é justamente nas últimas décadas que encontramos os trabalhos mais prolíficos de direção entre as mulheres.

Bom, chega de lenga-lenga. Vamos dar uma olhada em uma lista delas:

Sofia Coppola

Difícil uma lista sem ser encabeçada por ela, a filha do diretor de O Poderoso Chefão acumula virtudes tipicamente femininas e da classe alta a qual pertence em seus filmes, dentre os quais Encontros e Desencontros é o mais icônico, mas que está longe de ser o único, incluindo Virgens Suicidas, Maria Antonieta, Bling Ring A Gangue de Hollywood, Um Lugar Qualquer, entre outros.

Lynne Ramsay

Minha favorita da atualidade, Precisamos Falar Sobre Kevin é um trabalho de respeito. Mas seu filme de 2018 já é outro nível, figurando para mim entre os melhores do ano. Seu forte é a relação visceral entre as pessoas, onde apesar de haver uma hierarquia aparente entre adultos e jovens isso se dissipa rapidamente em seus trabalhos, tornando a idade um meio detalhe quando a essência que seus personagens compartilham é tão poderosa.

Kathryn Bigelow

Agora estamos falando de grande escalão. Bigelow fala sobre grandes temas inseridos na rotina da guerra. Ganhadora do Oscar de melhor direção por Guerra ao Terror, ela continua o tema no impressionante A Hora Mais Escura e se mantém relevante por sua técnica impecável em tornar filmes complexos em uma viagem cinematográfica densa e digna de despejar milhões em sua produção.

Doris Dörrie

Uma das minhas favoritas, seus filmes estranhos sobre relações inusitadas merece uma descoberta pelo público. Ela não é pop, mas tem algo a dizer em seus trabalhos mais icônicos como Hanami: Cerejeiras em Flor e no bizarro Felicidade.

Menções popzinhas

As pessoas de “cinema de arte” ficam fissuradas em “prêmios de arte”, e balançam o rabo efusivamente quando o assunto é “minorias”. E as diretoras mulheres estranhamente entram nesse quesito. Algumas entraram no rol de menção honrosa apenas porque são… mulheres? E estão engajadas nessas questões sociais que fazem “pessoas de arte” terem orgasmos múltiplos. Se você está procurando referências talvez deva dar uma olhada em: Susanne Bier, Jane Campion, Ava DuVernay, Nancy Meyers, Julie Taymor, Anna Muylaert, Agnès Varda, Mira Nair, Lucrecia Martel…

Em tempo: Menção verdadeiramente honrosa

Alice Guy Blaché foi redescoberta recentemente na História do Cinema. Foi uma produtora prolífica nas primeiras décadas da sétima arte, tendo criado um estúdio utilizado por Hitchcock e que em 20 anos de existência sabe-se ter produzido mais de mil filmes. Blaché atualmente está sendo usada como bandeira de “causas de gênero”, mas a despeito disso é uma cineasta que merece figurar no hall dos grandes contribuidores da arte audiovisual.

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