Naked

2017/08/14

É possível imaginar que este seria um dos primeiros filmes da Netflix cujo roteiro está mais próximo de ter sido feito por Machine Learning do que por roteiristas humanos. Ele é esquemático, usa fórmulas antigas, consagradas ou comentadas por décadas. Apela para movimentos de câmera fáceis, sem construção de cena. A ação está toda pronta já em trabalhos como GTA. E GTA é “apenas” um video-game.

A história chega a ser um plágio de Feitiço do Tempo, pois possui os mesmos elementos. O protagonista precisa melhorar como ser humano para conquistar seu dia. Do contrário ele continuará voltando para o mesmo momento inicial do dia do seu casamento: o elevador de um outro hotel. Completamente pelado. Ah, sim, e essa é a piada: ha ha ha.

Até existe um elemento-chave no roteiro para ele retornar para o ponto de início: o soar do sino da igreja onde pretende se casar. E há uma cena onde ele tenta resolver a questão “atacando” o sino.

Essas são as semelhanças temáticas com o clássico com Bill Murray, e param por aí. Todo o resto é clichê. Pai da noiva não gosta dele e tem um pretendente que é seu ex, que é musculoso e tem uma Lamborghini. Ambos são empresários ocupados e o protagonista é um professor substituto de literatura.

Enxerga como este não é um padrão difícil de ser seguido por uma máquina? Tudo que ela precisa fazer é analisar a gigantesca massa de dados dos espectadores de Home Vídeo, salas de cinema e tv por assinatura. E se este for um filme com boa recepção tenho más notícias para roteiristas medíocres como esses.

Nada disso impede que o carisma do ator principal, Marlon Wayans, ajude a tornar o filme mais palatável. Ele já se saiu muito bem em 50 Tons de Preto, onde as piadas envolvendo o politicamente correto com certeza não conseguiriam (ainda) ser feitas por máquinas. (O próprio politicamente correto já é feito por zumbis, então essa parte eu não duvido.)

Através de uma trilha sonora automática (assim como a direção), “Nu” não consegue ainda unir seus elementos narrativos em uma história coesa, preferindo apenas jogar as ideias que acharia engraçadas em um filme como esse. Mas se fosse criado por inteligência artificial eu até daria um certo crédito. Como o roteiro está ainda assinado por humanos, continua sendo apenas mais um filme ruim.

★☆☆☆☆ Naked. USA, 2017. Direction: Michael Tiddes. Script: Rick Alvarez. Mårten Knutsson. Torkel Knutsson. Cory Koller. Marlon Wayans. Cast: Marlon Wayans (Rob Anderson). Regina Hall (Megan). Dennis Haysbert (Reginald Swope). J.T. Jackson (Benny). Scott Foley (Cody Favors). Eliza Coupe (Vicky). Brian McKnight (Brian McKnight). Loretta Devine (Carol). Cory Hardrict (Drill). Edition: Lawrence Jordan. Cinematography: David Ortkiese. Soundtrack: David Newman. Gender: Comedy. Category: movies Tags: netflix

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