Narcos

Assisti os três (quatro?) primeiro episódio de Narcos, a série da Netflix produzida por José Padilha (Tropa de Elite) e que dirigiu o piloto. No elenco, Wagner Moura faz o famigerado criminoso que roubou o dinheiro dos americanos e os corações dos colombianos em um negócio ilegal que custou vidas e uma investigação difícil da polícia.

Não, não estou falando de um ditador populista, destes que inundam a América do Sul. Nesse caso é alguém mais “ficha-limpa”: Pablo Escobar, o traficante de cocaína que alavancou seus negócios como um empresário-gênio de sua geração, tanto por seus contatos, seus subornos, ou sua politicagem.

O que há de bom na série? Bom, por ser idealizado por Padilha, há um erro comum em diretores autorais: usar uma fórmula consagrada em trabalhos anteriores. Nesse caso, a narração em off de Tropa de Elite e Tropa de Elite 2. Ela não funciona como deveria, principalmente pelo narrador ser o investigador de polícia, e não o próprio Escobar. Não precisamos saber o que se passa em sua mente, e não precisamos de diálogos e recortes de vídeo que mais parecem feitos para produzir um documentário.

Já o que há de bom também encontra raízes na filmografia de Padilha: a câmera na mão, os cortes rápidos, as falas bem-humoradas que enriquecem aquela atmosfera dos anos 90.

Mas não só isso: Wagner Moura aparece com uma voz irreconhecível que não dá para relacionar com seu Capitão Nascimento, o que já é um feito e tanto. Porém, a inexistência do seu tique com os olhos já representa um degrau a mais de maturidade do ator, que parece ter se dedicado o suficiente para seu papel.

Contando com muito texto, muita história, recortes da época, atuações mornas (exceto de Moura) e uma direção mista até que eficiente (Padilha, como falei, dirige o piloto, mas também o segundo episódio), Narcos pode ser configurado como uma série competente, mas que não oferece nada além disso. Ou talvez ofereça. Quer arriscar 10 horas de sua vida?

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-09-11 imdb