Neruda

2016/12/12

Neruda é um filme divertido, selecionado para competir no Oscar (Chile), que fala sobre o poeta comunista que não tinha nada melhor pra falar. Porém, divertido mesmo é acompanhar Gael García Bernal como o diretor de polícia que vai atrás do gordinho porque… porque… porque o presidente comandado pela CIA mandou.

Não é um filme político no sentido de que alguma coisa faça sentido, mas ele está inserido nesse contexto por conta das pressões históricas. O que vemos é um Pablo Neruda encantado, quase canonizado, mas estático. Exceto, claro, por sua máquina de escrever frenética, que escreve, de acordo com vários personagens no filme, “longos poemas” (e de acordo com uma ex, é por isso que ele ganhou muito dinheiro). Já o policial, Óscar Peluchonneau, é um personagem da vida real transformado quase em um personagem das histórias do poeta: um filho da boemia, que traiu o movimento.

A direção de Pablo Larraín, de “No”, é econômica e ainda assim intensa. Ele nos coloca como em filmes do Hitchcock, onde as pessoas andam de carro com uma projeção no fundo, e há uma economia absurda de verba nas sequências externas. Ainda assim, isso não impede a maravilhosa fotografia de Sergio Armstrong de brilhar, especialmente nas sequências em Valparaiso e na neve, o ponto alto da trama.

O roteiro de Guillermo Calderón é confuso narrativamente, pois está interessado em contar a história do ponto de vista do psique de seus personagens, que se assemelham a personagens fictícios. Tanto Neruda quanto o policial parecem estar narrando suas aventuras, e o policial se questiona se ele é ou não o protagonista. Talvez seja. Talvez não. E é essa a grande trama.

Divertido enquanto pode, “Neruda” é um passatempo épico, uma pequena janela na vida do poeta que vira uma diversão graças ao que as pessoas pensavam dele do que dele de fato. E Bernal, mais uma vez, está imperdível.

★★★☆☆ Título original: Neruda. País de origem: Chile. Ano 2016. Direção: Pablo Larraín. Roteiro: Guillermo Calderón. Elenco: Gael García Bernal (Óscar Peluchonneau). Luis Gnecco (Pablo Neruda). Alfredo Castro (Gabriel González Videla). Pablo Derqui (Víctor Pey). Mercedes Morán (Delia del Carril). Emilio Gutiérrez Caba (Picasso). Alejandro Goic (Jorge Bellet). Marcelo Alonso (Pepe Rodríguez). Jaime Vadell (Arturo Alessandri). Edição: Hervé Schneid. Fotografia: Sergio Armstrong. Trilha Sonora: Federico Jusid. Duração: 107. Razão de aspecto: 2.35 : 1. Gênero: Biography. Tags: cabine

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