Nosferatu

Nov 2, 2012

Imagens

Mesmo 90 anos depois, Nosferatu consegue impressionar em suas pontuais cenas clássicas. O resto, resquícios do expressionismo alemão, mas de onde até hoje se emprestam algumas técnicas (como o jogo de sombras), pode ser engraçado pela bizarrice, mas define muito bem a loucura e a doença em torno do desconhecido, do sobrenatural.

A nova trilha sonora composta em homenagem aos 100 anos do autor de Drácula faz dueto com a versão restaurada pelo instituto Murnau a partir das películas originais, e atualiza o horror para os tempos atuais, incluindo lembranças de outros clássicos, como o coral (A Profecia) e os toques frenéticos e repetitivos (Hitchcock). Para Nosferatu é solene, lhe dá dignidade e ao mesmo tempo mantém a tensão de sua tenebrosa história.

O conde assemelha um humano, mas deixa claro que é uma criatura nefasta. Ele depende das trevas, ou seja, da desgraça humana. Não há símbolo melhor do que o sangue para representar a vida.

Há muito texto na história, pois existem diversos detalhes da obra original que precisam ser abordados. Porém, elementos mais periféricos de fato apresentam uma gordura desnecessária na trama, como os caixões de terra. Já outros elementos apenas citados mereceriam um papel mais presente, como o diretor do hospício. Detalhes, enfim, que não diminuem a importância e o impacto do primeiro Drácula no Cinema, e que seria um tema recorrente nas décadas seguintes, e que com exceção da “saga” Crepúsculo, uma fonte de riqueza em seus símbolos e em suas diferentes maneiras de abordar uma lenda tão enigmática e fascinante.

Wanderley Caloni, 2012-11-02. Nosferatu. Nosferatu, eine Symphonie des Grauens (Germany, 1922). Dirigido por F.W. Murnau. Escrito por Henrik Galeen, Bram Stoker. Com Max Schreck, Gustav von Wangenheim, Greta Schröder, Georg H. Schnell, Ruth Landshoff, Gustav Botz, Alexander Granach, John Gottowt, Max Nemetz. IMDB.