A Noviça Rebelde

O musical ganhador do Oscar nos anos 60 é tanto um apelo emocional quanto musical. Ele fala sobre aproximação de pai e filhos, sobre uma mudança radical na vida de uma noviça e fala também sobre uma nação que começa a ser desconstruída pela força das armas.

Tudo isso de uma maneira teatral, ou melhor dizendo: de uma maneira espetacularmente e necessariamente teatral. É uma história que pede música a todo momento como símbolo da vida.

Porém, o roteiro tem uma estrutura tradicional seguida à risca. Dessa forma, todas as músicas têm seu sentido de serem cantadas, e todas elas movem a história adiante, deixando como rastro uma nova atmosfera através da trilha sonora baseada na canção.

A montagem central, em que as crianças aprendem pela primeira vez as notas musicais, se transformou em um clipe memorável. É o ponto de virada que justifica por completo o gênero musical no Cinema. Não é à toa que o filme apresenta sete crianças com estaturas distintas (notas musicais). Alguém que assista ao filme e diga que não gosta de musicais está sendo enganado: essa pessoa simplesmente não gosta da arte cinematográfica.

O filme com duração de 3 horas passa em um segundo com a direção enérgica. Cria lembranças eternas do poder da música no Cinema, que podem e devem ser revisitadas de tempos em tempos. Moulin Rouge ressuscitou os musicais evocando das cinzas The Sound of Music, tal é o poder desse clássico absoluto.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2014-11-15. A Noviça Rebelde. The Sound of Music (USA, 1965). Dirigido por Robert Wise. Escrito por George Hurdalek, Howard Lindsay, Russel Crouse, Ernest Lehman, Maria von Trapp. Com Julie Andrews, Christopher Plummer, Eleanor Parker, Richard Haydn, Peggy Wood, Charmian Carr, Heather Menzies-Urich, Nicholas Hammond, Duane Chase. imdb