Numa Escola de Havana

Numa Escola de Havana é o trabalho quase que liberal do diretor/roteirista Ernesto Daranas. Ele se beneficia dos frutos em elencar uma equipe de atores competentes e inseri-los em uma história de libertação em pleno coração do comunismo nas Américas. Sutil do começo ao fim, pode parecer que é um filme equilibrado, cujo ponto de vista depende de quem estiver assistindo. Porém, basta observar a cena inicial, em que o pequeno Chala (Armando Valdes Freire) cuida dos seus animais presos, fontes de seu sustento e de sua mãe, que ainda usa violência (na briga de cães) para atingir seus objetivos, que você não conseguirá desvencilhar o filme da história de Cuba, uma ilha dominada por um ditador e que sacrifica seu povo por um ideal igualitário que torna todos igualmente miseráveis.

A história gira em torno de um moleque, Chala (Armando Valdes Freire), que cuida de sua mãe drogada e prostituída, e a professora idosa Carmela (Alina Rodríguez), que vai lendo sua carta de demissão durante as passagens que vão explicando o porquê dela estar se afastando de seu cargo ocupado durante todo o regime Castrista. Quer dizer, explica do ponto de vista de alguém que concorde com as regras esdrúxulas de Conducta (o nome original do filme) das pessoas envolvidas, e que realmente acredite que há algo de errado.

De qualquer forma, a tensão é montada do começo ao fim, e mesmo existindo aqui e ali as cenas de reflexão, além de símbolos do dia-a-dia que se mesclam com a linda fotografia de Alejandro Pérez e a trilha sonora lúdica que possui em seu pano de fundo um toque estridente e ritmado que lembra que estamos em um país de disciplina militar. Além do mais, a edição fluida entregue por Pedro Suárez nunca torna a experiência enfadonha. A única coisa que incomoda talvez seja o tom novelístico do roteiro de Ernesto Daranas, que também dirige o filme, seu terceiro longa e digno de ser visto em uma telona.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-08-23 imdb