O Amante Do Dia

O Amante do Dia é um filme francês da atualizade em preto e branco e com ideinhas liberais. É de um diretor liberal com alguma ideia de que tudo aquilo de ter casos extraconjugais seja algo muito moderninho em 2017. E algo me diz que ele viajou no tempo e foi teletransportado diretamente dos anos 60.

Mas não julguemos sua moral, e sim seu conteúdo. A história envolve um pai cuidando de sua filha que acabou de se separar do namorado por quem está perdidamente apaixonada. Enquanto isso ele namora uma mulher com a mesma idade de sua filha, que gosta de sair com outros rapazes, ainda que apenas uma vez (em um caso dela ela escreve no espelho do cara: “nunca jamais”).

Essa história vai sendo desenvolvida aos poucos e a direção tenta emular os filmes dos anos 60, com cenas onde demora o corte ou até atuações desajeitadas, com falas incidentalmente engraçadas. É um exercício de estilo vazio, que oblitera qualquer tentativa sofrida de realizar um trabalho que queira dizer alguma coisa sobre o cinema da época ou sobre nossos costumes atuais da moda, como poliamor e sexo casual.

A Ariane como é construída pela atriz Louise Chevillotte lembra uma femme fatale que não tem a idade que diz. Enquanto isso, a infantilidade da filha de seu amante, conduzida por Esther Garrel, é de uma ingenuidade quase tocante.

Com pouquíssimos momentos inspiradores, O Amante do Dia é apenas uma visita rápida pela França nos anos 60 em um passado alternativo onde existiam celulares. E uma película melhor. Bonito preto e branco, aliás.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2017-10-28 imdb