O Bom Dinossauro

Feb 9, 2016

Imagens

É uma satisfação ver que a Pixar continua com sua vontade de arriscar de vez em quando, e possivelmente possui os desenhistas mais ambiciosos do mercado. O Bom Dinossauro é um trabalho estético e artístico admirável, que causa estranheza em alguns momentos, mas em outros faz valer totalmente a pena.

Contando uma história simples, onde há 65 milhões de anos um asteróide NÃO bateu em nosso planeta, aqui os dinossauros falam e são agricultores pacatos, e os “humanos” ou humanoides ainda são criaturas primitivas que andam nas quatro “patas”. Um dos dinossauros, Arlo (Jack McGraw/Raymond Ochoa), nasceu diferente, com suas pernas bambas, e não consegue ajudar muito a família, pois tem medo até das galinhas que alimenta todos os dias. Ao perder seu pai, as coisas pioram na fazenda, e ao se perder, pioram ainda mais. É quando ele conhece Spot (Jack Bright), um garoto humano que vira seu mascote de estimação.

Apresentando diferentes cenários, personagens e situações em uma espécie de “road-movie” exótico, o roteiro simples desenvolvido por sete pessoas praticamente não exige diálogos, embora eles estejam lá para os espectadores mais jovens, e para mostrar a inversão dos valores, quando os dinossauros são mais evoluídos que os humanos. E como um Avatar para crianças, apresenta diferentes espécies que juntas formam um mosaico pré-histórico regado com músicas de country (parece que os idealizadores do projeto também comeram da frutinha que gera alucinações).

No entanto, nem tudo é inovação. Se inspirando levemente em O Rei Leão, o uso mais uma vez de um trio de abutres, quer dizer, pterodátilos, soa repetitivo demais, e até desnecessário. No entanto, a participação especial de três “T-Rexes” é um ponto alto, além do próprio cenário contribuir para o maravilhamento espontâneo que surge ao observar uma natureza tão real que chega a parecer real (se não for).

Outros detalhes, mas esses incomodam um pouco, é a escolha pitoresca de uma cobra com patas cuidando de um fruto inacessível, além de uma outra família de humanos que difere a ponto de parecer outra espécie, mas nem tanto. A impressão que fica é que por algum motivo os produtores parecem tentados a não ofender alguns religiosos, mas sem coragem também para assumir que tenta fazer um “bem bolado”, onde evolução e criação dão as mãos.

Entregando uma conclusão satisfatória, com mais um momento Disney de fazer chorar (mas esse plenamente justificado), O Bom Dinossauro erra em pouquíssimos pontos e acerta na média. Uma diversão não tão boa para crianças pequenas, mas interessante para jovens e imperdível para adultos mais curiosos.

Wanderley Caloni, 2016-02-09. O Bom Dinossauro. The Good Dinosaur (USA, 2015). Dirigido por Peter Sohn. Escrito por Bob Peterson, Peter Sohn, Erik Benson, Meg LeFauve, Kelsey Mann, Bob Peterson, Meg LeFauve. Com Jeffrey Wright, Frances McDormand, Maleah Nipay-Padilla, Ryan Teeple, Jack McGraw, Marcus Scribner, Raymond Ochoa, Jack Bright, Peter Sohn. IMDB.