O Concurso

Este é mais um dos filmes bobos, praticamente sem graça e datados da Globo Filmes. O Concurso continua fazendo piadas no melhor/pior estilo A Praça é Nossa ou Zorra Total. Pior: sequer tem vergonha de usar um fiapo de história que apenas serve para juntar situações entre humoristas se fazendo de atores com personagens tipicamente rasos.

A história é sobre o concurso público mais disputado no país: juiz federal. Entre as inúmeras fases, apenas quatro foram selecionados para a fase final (o teste oral), e vemos os quatro descobrindo que foram selecionados. Isso depois de o vermos na introdução em situações engraçadinhas ou aparentemente inusitadas, como um vestido de drag queen, outro vindo do hospital, outro preso e mais um outro… até já esqueci.

Ah, tem um alérgico a gatos. E o ator que o interpreta é tão ruim, mas tão ruim, que dá pena do sujeito. Ele move a cabeça pra cima e pra baixo fechando os olhos, emitindo um som que parece um espirro forçado, mas que é um ataque… de má atuação. Talvez nem Zorra Total tenha um despreparo desses.

E Fabio Porchat, o comediante do canal Porta dos Fundos no YouTube, é um desperdício imenso, pois não consegue usar sua persona hilária a que estamos acostumados, pois é pintado como um personagem gaúcho, com pai severo, que quer que o filho vença o concurso a qualquer custo. E é claro que vai haver piadas homofóbicas sobre gaúchos, rixas com catarinenses e toda aquela comédia de TV dos anos 90.

O Cinema na Globo ainda nem chegou ao ano 2000. Há até dois anões se digladiando em uma briga de gangues, e dois grupos altamente armados, a poucos metros dos heróis do filme, que não conseguem acertar uma bala enquanto estes correm para pular uma janela. O diretor Pedro Vasconcelos não tem a menor noção de espaço e enquadramento. Seu senso de humor vai do caseiro ao mau gosto, passando pela produção porca e indie, que usa cenários pedestres – como uma casa em Piraporinha com paredes coloridas emprestadas de uma novela – espalhando em seu filme a situação financeira da rede de TV, que assim como os jornais impressos, devem estar sofrendo com o poder e a liberdade da internet.

Esse é um filme que acompanhamos de pena, pois nem risadas podemos esperar. Ele é previsível do começo ao fim, sendo que o final ainda se torna imprevisível por uma falha na índole de certo personagem, que toma uma decisão inusitada. E se formos falar de moral, então, além de ser de extremo mau gosto usar concurso público – a oferta de vagas com uso de dinheiro roubado – ainda toma a oportunidade para exaltar os mais humildes e necessitados. Ou seja, além de não ser engraçado, o filme vem carregado de péssimas mensagens, piadas escrotas e uma imoralidade imbecil. É de pensar se tudo isso vale a pena para ver dois minutos de uma Sabrina Sato ainda retumbante.

★☆☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-08-28 imdb