O Concurso

Aug 28, 2016

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Este é mais um dos filmes bobos, praticamente sem graça e datados da Globo Filmes. O Concurso continua fazendo piadas no melhor/pior estilo A Praça é Nossa ou Zorra Total. Pior: sequer tem vergonha de usar um fiapo de história que apenas serve para juntar situações entre humoristas se fazendo de atores com personagens tipicamente rasos.

A história é sobre o concurso público mais disputado no país: juiz federal. Entre as inúmeras fases, apenas quatro foram selecionados para a fase final (o teste oral), e vemos os quatro descobrindo que foram selecionados. Isso depois de o vermos na introdução em situações engraçadinhas ou aparentemente inusitadas, como um vestido de drag queen, outro vindo do hospital, outro preso e mais um outro… até já esqueci.

Ah, tem um alérgico a gatos. E o ator que o interpreta é tão ruim, mas tão ruim, que dá pena do sujeito. Ele move a cabeça pra cima e pra baixo fechando os olhos, emitindo um som que parece um espirro forçado, mas que é um ataque… de má atuação. Talvez nem Zorra Total tenha um despreparo desses.

E Fabio Porchat, o comediante do canal Porta dos Fundos no YouTube, é um desperdício imenso, pois não consegue usar sua persona hilária a que estamos acostumados, pois é pintado como um personagem gaúcho, com pai severo, que quer que o filho vença o concurso a qualquer custo. E é claro que vai haver piadas homofóbicas sobre gaúchos, rixas com catarinenses e toda aquela comédia de TV dos anos 90.

O Cinema na Globo ainda nem chegou ao ano 2000. Há até dois anões se digladiando em uma briga de gangues, e dois grupos altamente armados, a poucos metros dos heróis do filme, que não conseguem acertar uma bala enquanto estes correm para pular uma janela. O diretor Pedro Vasconcelos não tem a menor noção de espaço e enquadramento. Seu senso de humor vai do caseiro ao mau gosto, passando pela produção porca e indie, que usa cenários pedestres – como uma casa em Piraporinha com paredes coloridas emprestadas de uma novela – espalhando em seu filme a situação financeira da rede de TV, que assim como os jornais impressos, devem estar sofrendo com o poder e a liberdade da internet.

Esse é um filme que acompanhamos de pena, pois nem risadas podemos esperar. Ele é previsível do começo ao fim, sendo que o final ainda se torna imprevisível por uma falha na índole de certo personagem, que toma uma decisão inusitada. E se formos falar de moral, então, além de ser de extremo mau gosto usar concurso público – a oferta de vagas com uso de dinheiro roubado – ainda toma a oportunidade para exaltar os mais humildes e necessitados. Ou seja, além de não ser engraçado, o filme vem carregado de péssimas mensagens, piadas escrotas e uma imoralidade imbecil. É de pensar se tudo isso vale a pena para ver dois minutos de uma Sabrina Sato ainda retumbante.

Wanderley Caloni, 2016-08-28. O Concurso. O Concurso (Brazil, 2013). Dirigido por Pedro Vasconcelos. Escrito por L.G. Tubaldini Jr, Leonardo Levis, L.G. Tubaldini Jr, L.G. Bayão, Carla Faour, Cláudia Maximino, Gregório Duvivier. Com Danton Mello, Fábio Porchat, Anderson Di Rizzi, Rodrigo Pandolfo, Carol Castro, Sabrina Sato, Pedro Paulo Rangel, Jackson Antunes, Gigante Léo. IMDB.