O Congresso Futurista

Essa é a minha visão sobre o futuro. Obviamente, no filme as coisas não saem como o esperado. Mas quem disse que na vida real é diferente? Quantas vezes idealizamos algo e esse algo se perde no meio do caminho para virar outra coisa que, não obstante, parece bater de frente com nossos objetivos iniciais?

No caso de O Congresso Futurista, a maior falha no roteiro de Ari Folman (de Valsa com Badhit, e que aqui também dirige) baseado no romance de Stanislaw Lem é não conseguir estabelecer com a exatidão necessária qual o objetivo de Robin Wright (House of Cards) em assinar seu último contrato de atuação, que permitirá à produtora “Miramount” (um trocadilho infame entre Miramax e Paramount) deter todos os direitos de atuação da cópia digital da atriz, impedindo que ela atue para sempre ou por um bom tempo. Os cuidados que tem com seu filho Aaron (Kodi Smit-McPhee) não conseguem convencer por si só. Sua face quase sempre enigmática também não ajuda.

Dito isto, a maior virtude do filme se ampara em sua dualidade animação/vida real. Embora todos falem que esse “Admirável Mundo Novo” se trata de um mundo perfeito onde todos são o que desejam ser, os traços e os movimentos utilizados se assemelham muito mais a uma viagem de ácido temporária, pois se alguém permanecesse nesse delírio por mais de um dia com certeza ficaria maluco. No entanto, a breve olhada que temos do real, mas sujo e abandonado “Mundo Selvagem” é o suficiente para entendermos que não se trata de uma escolha entre o paraíso e o inferno, mas entre qual dos dois infernos é o menos insuportável.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-01-04. O Congresso Futurista. The Congress (Israel, 2013). Dirigido por Ari Folman. Escrito por Stanislaw Lem, Ari Folman. Com Robin Wright, Harvey Keitel, Jon Hamm, Kodi Smit-McPhee, Danny Huston, Sami Gayle, Michael Stahl-David, Paul Giamatti, Ed Corbin. imdb