O Conto da Princesa Kaguya

Jul 26, 2015

Imagens

Uma aventura narrada por traços que revelam o que mais importa em seus personagens: o “eu” interior, ou seja, as expressões que os tornam tão únicos quanto complexos. Porém, nunca simplificados, mesmo se tratando de um conto. Aliado a isso, uma música de poucos toques usada nos momentos exatos transforma a experiência em uma imersão completa na moral milenar oriental. Em suma: um desenho imperdível para adultos (e talvez assustador para crianças, mas ainda assim arriscaria levá-las…).

Contando a história da pequena Princesa Kaguya do filme, encontrada próximo a um bambu iluminado justamente por um cortador de bambu, o bebê mágico cresce rapidamente, e junto com ele acompanhamos os momentos mais interessantes do próprio crescimento humano. A felicidade completa está contida na primeira parte da história, onde Kaguya e seus amigos correm e se divertem juntos em um ambiente rural que exala natureza e contato do ser humano com sua essência animal.

Equilibrando com destreza suas metáforas a respeito de nossa vida e o quanto perdemos dessa essência durante o crescimento, a fase no palácio é comparativamente sombria e sem sentido, e é assim que o diretor Isao Takahata (do igualmente profundo Túmulo dos Vagalumes) quer que vejamos essa transição e pensemos se toda essa pomposidade em nossa sociedade realmente faz valer a pena o sacrifício. A época em que a história se passa apenas aguça essa visão, já que Kaguya, depois de oficializada princesa em uma grande festa, é alvo de uma dúzia de pretendentes que nunca a viram, mas que estão dispostos a se casar com ela unicamente para possui-la como um objeto.

A felicidade é o tema recorrente em O Conto da Princesa Kaguya, como vemos o seu pai constantemente pensando na melhor forma de tornar a filha feliz. Se para nós é óbvio como espectadores, a maior virtude do filme seria fazer-nos pensar a respeito de nossa própria vida.

Com um final deslumbrante que conta com cada segundo de música e movimento, a visão budista da partida não se torna religiosa justamente pela mensagem universal que ecoa em sua sequência. Um filme para ver e rever com o passar da idade. Parece longo, como a vida, mas passa em alguns segundos, como o crescimento de uma princesa.

Wanderley Caloni, 2015-07-26. O Conto da Princesa Kaguya. Kaguyahime no monogatari (Japan, 2013). Dirigido por Isao Takahata. Escrito por Isao Takahata, Isao Takahata, Riko Sakaguchi, Mike Jones. Com Chloë Grace Moretz, James Caan, Mary Steenburgen, Darren Criss, Lucy Liu, Beau Bridges, James Marsden, Oliver Platt, Hynden Walch. IMDB.