O Destino de Júpiter

May 12, 2015

Imagens

Esse é um ótimo filme se você quiser descobrir o que os irmãos Wachowski, da trilogia Matrix, fariam com a tecnologia atual contando uma história bem parecida com Matrix Revolutions no sentido de cenários grandiosos, personagens heroicos e o tempo dividido em metade ação, metade reflexão. Sinceramente, eu esperava um pouco mais dos diretores que criaram Cloud Atlas, uma odisseia que passeia por eras e cujo conflito é muito mais metafísico do que neste filme. Aqui o objetivo é fazer com que a garota Jupiter não seja morta e salvar a humanidade. A garota é Mila Kunis, aquela menina atraente de Cisne Negro que se deita com Natalie Portman, e está em boas mãos aqui, protegida pelo igualmente voluptuoso Caine Wise (Channing Tatum). Podemos criticar diversos aspectos da filmografia dos Wachoski, mas uma coisa que eles sabem escolher são tipos físicos para suas histórias.

O destino da humanidade é visto sob uma perspectiva mais grandiosa. Somos cultivados por raças alienígenas que, além de nos “plantar” neste planeta, comandam uma espécie de hierarquia real com base na manipulação genética e como ela consegue fazer com que as pessoas vivam muito mais do que o normal. Estamos falando de milênios a mais. Não fica claro se todos têm esse direito ou benefício, mas o mais provável é que não. O tempo é a moeda intergaláctica.

Apresentando Júpiter como a garota filha de um astrônomo (que morre no começo) e de uma russa que vem de uma família mais esotérica, a história é rica em detalhes sutis, como a forma com que o capitalismo desenfreado é criticado através da produção em massa de humanos e a construção de cidades-planeta como se fossem uma gigantesca indústria do petróleo (é assim debaixo das tempestades eternas do planeta Júpiter, por exemplo). Porém, este também é um filme para encher os olhos. A viagem que as naves fazem no espaço-tempo é tão simples quanto grandiosa. E o que dizer da maneira como o conceito de “reencarnação” é apresentado, unindo fé e ciência de uma maneira infinitamente melhor que, por exemplo, Prometheus?

O que estraga o filme é essa necessidade de existir ação desenfreada e um romancezinho de boteco. Do começo até o final, a relação entre Júpiter e Caine nunca faz sentido. Nem a amorosa e nem a de fidelidade, pois Caine protege Júpiter como se fosse a amada de séculos atrás, mas nunca descobrimos direito o porquê. Enfim, tudo é motivo para explosão em cima de explosão e Júpiter é salva por Caine em meia-dúzia de situações que já fazem parte da cartilha de clichês de filme de ação há muito tempo. Já sabemos o que vai acontecer. Assistimos sequências burocráticas atrás de mais história, pois ela é a única que parece valer a pena ser assistida.

E Mila Kunis, tão bela e tão vazia, não consegue extrair nada de sua Júpiter, a união entre a razão e o sentimento. De sentimentos, o rosto da atriz carece de algum, e de razão, não faz o menor sentido ela assimilar tão rapidamente as descobertas envolvendo o planeta, o universo e ela mesma. O que Douglas Adams precisa de um ou mais livros para explicar para os terráqueos, aqui parece ser apenas uma distração para a menina aparentemente mimada (embora limpe banheiros). Talvez a contradição de sua personalidade esteja em seu signo.

Wanderley Caloni, 2015-05-12. O Destino de Júpiter. Jupiter Ascending (USA, 2015). Dirigido por Andy Wachowski, Lana Wachowski. Escrito por Andy Wachowski, Lana Wachowski. Com Mila Kunis, Channing Tatum, Sean Bean, Eddie Redmayne, Douglas Booth, Tuppence Middleton, Nikki Amuka-Bird, Christina Cole, Nicholas A. Newman. IMDB.