O Dragão Chinês

The Big Boss, ou O Dragão Chinês (??), é um dos primeiros filmes de Bruce Lee no estilo Hollywoodiano, mas que mantém uma estrutura típica dos filmes de artes marciais: subir em escala até atingir o chefão.

Com uma trilha sonora embaraçosa e um ritmo de cena nem sempre adequado, O Dragão Chinês consegue oferecer uma lição de moral sem se esforçar muito: como o poder muda a visão das pessoas. No começo o jovem Cheng Chao-an (Lee) vem com seu tio que o traz a seus primos para que trabalhe com eles em uma fábrica de gelo. Um deles, o sempre solícito Hsiu Chien (James Tien) é gentil e justo com todas as pessoas, além de lutar muito bem. A vida na casa de seus primos é muito agradável, mas o problema parece rondar a fábrica.

Cheng prometeu ao tio que não lutaria para não entrar mais em encrenca, mas quando perde o amuleto, a fera está solta. A história dá uma guinada sensacional depois dali. Cheng, depois de se mostrar um exímio lutador, é promovido a capataz, e logo todo o grupo se esquece do desaparecimento de Hsiu Chien. Essa é a lição que é facilmente aprendida. As expressões nos rostos dos atores é manjada, inclusive de Bruce Lee, mas independente da estrutura, a história e as cenas de ação compensam em muito, pois tirando as montagens com facas, são reais, e editadas com uma energia inebriante.

Note, por exemplo, a luta final. Conhecemos o poder de ambos os oponentes, e mesmo que um carro ou um ônibus passe na estrada logo atrás nos distraindo, a concentração dos lutadores é imensa, tornando difícil não se interessar pelo desfecho da história.

Sem colocar meios-termos no filme, temos nudez feminina e a morte de uma criança. Isso só acrescenta ao realismo do trabalho do diretor Wei Lo (ajudado por Chia-Hsiang Wu, embora não apareça nos créditos). E realismo é o que falta hoje em dia, no mundo do digital. Que belo trabalho de coreografia disposta em uma história clichê, mas que se torna poderosa quase que naturalmente.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2016-01-07 imdb