O Equilibrista

O Equilibrista é um trabalho fascinante de documentário porque explora de diversas maneiras o uso da câmera, montagem e roteiro para conseguir trazer a atenção do espectador no seu máximo em torno de um projeto que poderia muito bem virar uma reportagem sem graça de cinco minutos em um telejornal qualquer.

No entanto, os esforços do diretor James Marsh (Project Nim) e sua equipe em conseguir captar a função, a relação e o espírito de cada membro da “gangue” que tornou possível que o equilibrista Philippe Petit passeasse por um cordão estendido entre as torres gêmeas na altura do seu topo é o que torna a história fascinante do começo ao fim. Porém, mais do que isso, a montagem de Jinx Godfrey merece mais aplausos ainda por conseguir oscilar entre presente e passado em um ritmo que nunca cansa, mas sempre instiga para que saibamos mais da história daquelas pessoas e de Petit. Juntando pedaços e colagens de fotos, arquivos e entrevistas, tanto a montagem de Godfrey quanto a fotografia de Igor Martinovic transformam tudo isso em um todo, um álbum de colagens do evento que consegue empolgar a cada virada de página.

Por fim, o longa se beneficia imensamente pela nostalgia e simbolismo que cercam a localização da agora extintas torres gêmeas. É como se espiássemos por uma fresta do passado um acontecimento que, com toda a certeza do mundo, não fazem mais parte dessa realidade. Não após os ataques com os aviões. Não com a mudança geopolítica e a campanha anti-terrorismo. Um mundo, podemos dizer, mais ingênuo. Um mundo onde a arte ganha contornos quase tão surreais quanto a altura do World Trade Center. Um mundo onde tudo é possível. Uma pena que a ausência das torres indique que esse mundo pode ser que não exista mais por um longo tempo.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2014-03-02 imdb