O Estranho Mundo de Jack

O diretor Henry Selick já tem seu lugar de destaque nas animações por produzir com sua equipe trabalhos com tanto esmero quanto Coraline e o Mundo Secreto e este O Estranho Mundo de Jack. Bancado por Tim Burton — cujos projetos góticos possuem total similaridade com ambos os filmes — Selick em 93 já investia no que seria quase que um renascimento da arte stop-motion nos cinemas, de onde surgiriam ótimos trabalhos como A Noiva-Cadáver (esse sim dirigido por Tim Burton) e atingiria seu ápice em Mary e Max (Adam Elliot, 2009).

O Estranho Mundo de Jack mistura a festa de Halloween com o Natal quando Jack Skellington, o “rei da abóbora”, acaba visitando o mundo de Papai Noel e, com crise de identidade por fazer todo ano sempre as mesmas coisas, resolve inovar e tomar conta da confecção e entrega dos presentes do bom velhinho. O uso de um musical vem bem a calhar, já que a liberdade visual atingida ainda é maior ainda, dando lugar a quadros verdadeiramente poéticos e icônicos, como quando Jack passeia pelo desfiladeiro que se abre em torno da lua cheia.

Ainda assim, talvez por cortes no orçamento ou pelo trabalho descomunal que um projeto desses exige, o filme tem duração menor do que o necessário para atingir uma profundidade de temas, e portanto apresenta um terceiro ato corrido, embora satisfatório.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-03-02 imdb