O Exterminador do Futuro: Gênesis

O novo filme da franquia Exterminador do Futuro resolve homenagear cada pedacinho de toda a saga repetindo cenários, cenas, diálogos, ideias e reviravoltas. Como tradição, inova o modelo do modelo T-800, dessa vez, pra variar, um que usa nanotecnologia. Não se saindo tão mal quanto o terceiro filme, sua sacada genial é revelada no meio da história, e para os que tiveram a sorte de não assistir nenhum trailer e não ver nenhum pôster, pode até ser uma surpresa. Eu disse pode, pois até no começo há dicas demais sobre o que irá acontecer.

Não adianta nem tentar contar a história em sua cronologia, pois nada faz muito sentido, passado e futuro são recriados ao bel prazer do filme do diretor televisivo Alan Taylor, que traz Arnold Schwarzenegger dessa vez como um Guardião curinga, além de suas diferentes participações que fazem as homenagens já citadas.

Dessa vez pelo menos há um elenco relativamente competente, mas que mais uma vez empalidece diante dos personagens dos dois primeiros filmes. Emilia Clarke como Sarah Connor é uma gracinha, e não sei se é isso o que os fãs esperavam. Se formos analisar, Linda Hamilton também não era nada demais, mas ela trazia o peso, não só da idade, mas do drama configurado em sua expressão de preocupação constante acerca do filho e do futuro eminente que os cercavam no pré-apocalíptico “Dia do Julgamento”. Schwarzenegger mais uma vez repete suas falas de maneira automática, e o timing perfeito fica mais por conta da edição do que sua atuação.

Talvez o mais impressionante é que, não importa o quanto tente-se inovar o conceito de um exterminador robótico, nada parece se comparar à forma esquelética clássica, que é digno de um filme de terror até hoje. Pode ser a imagem nostálgica de quando efeitos visuais eram mais difíceis, e até stop-motion era utilizado. Vivemos épocas mais maleáveis na computação, e nossa imaginação não pega no tranco tão bem em ver joguinhos de computador dentro de um roteiro.

Aliás, esse roteiro escrito a quatro mãos é quase um passeio a um parque de diversões do que uma trama de fato. Se assemelha muito a Jurassic World, cujas intenções também estavam longe de contar uma história. Essa tendência recente de apenas mimetizar a experiência visual dos espectadores e ignorar que personagens devem ser criados e uma história precisa ser contada pode ser uma boa para o cinema pipoca, mas está anos-luz atrás da boa e velha identificação de um drama, por mais absurdo que este fosse. Mesmo que lidasse com a inescapável corrente do destino.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-10-16 imdb