O Filho de Saul

Jan 28, 2016

Imagens

Esse filme consegue nos convencer a assisti-lo simplesmente com uma simples premissa: olhe para esse homem e veja o que ele faz.

Para atingir esse objetivo, nos mesmos moldes de Birdman, o diretor estreante László Nemes utiliza as mesmas técnicas de sequência sem cortes (plano-sequência) e câmera andando atrás do personagem (câmera subjetiva), o que significa na linguagem leiga que iremos ter pouquíssimos cortes e olharmos aquela realidade através do ponto de vista do personagem.

Roteirizado como um jogo de video game em primeira pessoa, aqueles que o jogador visita todas as fases, a história de Saul é simples: acabando de morrer seu suposto filho nos campos de concentração nazista, seu único objetivo na vida agora é conseguir para ele um enterro como se deve, o que exige a presença de um rabino, o qual ele sai em busca por todos os grupos de judeus escravizados para exterminar seu próprio povo.

No entanto, Saul não é a figura do herói Hollywoodiano, mas antes a figura de um homem doente, que há muito perdeu sua humanidade. Incapaz de sentir algo enquanto organiza e limpa mais uma sessão de “banho” em um campo de concentração, sua “zumbificação” judia está na fase final: ele prefere zelar por uma remota pós-vida de seu filho do que tentar se salvar, arriscando e sacrificando no processo diversos conterrâneos.

E para os que se deixam levar pela narrativa convencional do “amor de pai”, peço que preste atenção ao simbólico final e na possibilidade (razoável) de que ele não tenha filhos. Nessa história de Abraão às avessas, sacrificar um povo inteiro por um ideal talvez não seja, de qualquer forma, um conceito apenas nazista.

Wanderley Caloni, 2016-01-28. O Filho de Saul. Saul fia (Hungary, 2015). Dirigido por László Nemes. Escrito por László Nemes, Clara Royer. Com Géza Röhrig, Levente Molnár, Urs Rechn, Todd Charmont, Jerzy Walczak, Gergö Farkas, Balázs Farkas, Sándor Zsótér, Marcin Czarnik. IMDB. Texto completo próximo ou após a estreia no CinemAqui.