O Grande Golpe

A partir da apresentação dos personagens de O Grande Golpe, o diretor Stanley Kubrick vai aos poucos revelando que a “operação” em torno da qual gira o filme está muito bem arquitetada e vem sendo planejada cuidadosamente por todas as partes envolvidas: um tira corrupto, um apostador de cavalos, um barman, um caixa do guichê de apostas, entre tantos outros.

Não sabemos a história de todos, mas focamos na vida de dois deles: o caixa e o mandante da quadrilha. Eles e suas respectivas esposas, diametralmente inversas em tudo o que diz respeito a caráter, são quase que reflexos de seus tipos físicos, assim como refletem o oposto de seus companheiros: a linda que mantém um amante - ou melhor dizendo, faz seu marido mantê-lo - e a feia que deseja apenas que os planos de seu companheiro o deem certo, seja lá quais forem - pois está ciente da sua falta de atributos físicos e intelectuais.

Mas o Sr. Kubrick, diretor e roteirista, deixa-nos a par de quase tudo que está prestes a acontecer através de seu narrador onisciente, que muitas vezes explica o óbvio. A parte mais divertida é acompanhar os preparativos, a contratação de serviços especiais, o modus operandi que ainda não ficou claro.

Até que chega o grande dia. Esse é um dia tenso. Fiquei dividido entre se estava torcendo para que tudo desse certo e entre aguardando o momento em que algo desse errado. É o momento de maior tensão no filme.

Porém, se as coisas vão ou não até o fim, apenas quem assistiu ficou sabendo. O que eu sei é que a câmera oscila de forma abrupta entre a estabilidade de um plano médio para a subjetividade de alguns personagens. Trêmula com o que estava acontecendo. Incrédula se poderia sair-se bem de tudo aquilo.

Um exercício de estilo, tanto na direção quanto no roteiro. Divertido do começo ao fim, a partir de um humor muito, muito peculiar.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2013-10-24 imdb