O Grande Hotel Budapeste

Wes Anderson sendo, como sempre, Wes Anderson, pode prejudicar um pouco seus trabalhos com seu enquadramento engessado e seus cenários surrealmente coloridos. Porém, quando o material se encaixa em seu estilo, temos um resultado espetacular. Como é o caso desse O Grande Hotel Budapeste, cuja história remete a um país meio Leste Europeu, meio Oriente, e que contém elementos fantasiosos que remetem justamente ao mundo que o diretor possui em sua mente.

A história contém quatro camadas muito bem definidas, sendo que as duas primeiras apenas encobrem o pano de fundo de um livro. Seu autor (Tom Wilkinson) narra a conversa entre o atual dono do hotel e um jovem escritor (Jude Law) explicando como ele conseguiu sua posição. A partir daí vamos para a quarta camada onde se encontra a história de fato, uma história de amizade e lealdade entre M. Gustave (Ralph Fiennes), o dono do hotel na década de 30, e Zero (Tony Revolori), o recém-contratado Lobby Boy. Essa camada é dividida em partes, de forma que toda a estrutura está disposta em compartimentos que Wes Anderson apresenta com uma riqueza infinita de detalhes e cores. Cores tanto no sentido físico quanto metafórico, como as sutis expressões dos participantes desse longo conto.

Narrando as desventuras da dupla, é impressionante como cada novo evento consegue se encaixar com o próximo com o uso da trilha sonora, de objetos de cena (cartas, cartões, etc) e com a própria estrutura de camadas já citada. Dessa vez, até o uso de atores famosos é relevante, pois em uma sala lotada de pessoas interessadas na leitura de uma herança, olhar para rostos conhecidos já nos dá dicas de quais serão os personagens que irão participar por mais tempo dos acontecimentos entre M. Gustave e Zero.

Dessa vez, como havia acontecido na animação O Fantástico Sr. Raposo, há cenas de ação e suspense que, por mais absurdas, cumprem seu papel de se tornar uma espécie de “thriller a la Wes Anderson”. Como havia dito, o fato do estilo do filme ter que se curvar ao seu criador não o diminui quando bem feito, mas em alguns momentos soa engessado. Esse é um feliz exemplo disto.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-01-18. O Grande Hotel Budapeste. The Grand Budapest Hotel (USA, 2014). Dirigido por Wes Anderson. Escrito por Stefan Zweig, Wes Anderson, Wes Anderson, Hugo Guinness. Com Ralph Fiennes, F. Murray Abraham, Mathieu Amalric, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Jude Law, Bill Murray. imdb