O Grande Lebowski

Feb 7, 2014

Imagens

Um filme é basicamente contar uma história. A forma como você conta é que pode fazer toda a diferença entre um pedaço inútil de película (ou bits) ou um grande filme que, faça rir, faça chorar, mas, principalmente, faça pensar.

E é com esse ímpeto narrativo que O Grande Lebowski, dos irmãos Coen (Um Homem Sério, Onde os Fracos Não Têm Vez), consegue subverter o clímax final de uma história que diverte do começo ao fim e entrega tantos momentos icônicos que depois de duas horas você ainda está pronto para mais umas dez. Falando de comédia, cujo gênero produz filmes que não costumam passar de uma hora e meia, esse é um feito e tanto.

Diferente da obra-prima Fargo, aqui não existe aquela parte tensa do drama familiar. O Lebowski do filme, ou, como ele prefere ser chamado, “O Cara”, vive sozinho, e seus parceiros no boliche são o mais próximo que ele poderia chamar de família. Para um protagonista cujo narrador em off (Sam Elliott) apresenta como que detentor de grandes feitos (apesar de não afirmar isso), ele é bem idiota. Um hilariante e surpreendente idiota Jeff Bridges (Tron: O Legado, Bravura Indômita — também com os irmãos Coen). Porém, o que o filme nunca faz é debochar de nosso herói. Pelo contrário: nos impressionamos cada vez mais com as reviravoltas de uma trama simples que vai aos poucos acrescentando mais e mais personagens (com um ótimo elenco), onde facilmente percebemos a bagunça que se forma na cabeça do confuso Cara.

Como todo filme dos diretores/roteiristas, esse é daqueles com uma fotografia estilizada ao máximo com uma seleção de músicas e referências que nunca cansam. A história se passa nos anos 70 ou 80, o que não importa muito exceto pela falta de celulares. Mesmo contando com um roteiro não-ortodoxo, o filme entrega os velhos clichês do mocinho fazendo sexo ou se encontrando com o chefão da maneira mais divertida possível. Não é à toa que a casa do magnata da pornografia lembre o covil de um dos inúmeros vilões de James Bond, com o detalhe que nesse caso estamos falando de um 007 às avessas.

No final, é surpreendente que todas as lacunas de uma história recortada (leia-se sem pé nem cabeça) vá se fechando sempre da maneira mais plausível e provável. Ao concluir toda uma trajetória torta nunca nos surpreendendo faz nos sentir quase como idiotas. Porém, essa é mais uma das inúmeras virtudes do roteiro. Afinal de contas, não é esse o objetivo de toda narrativa “épica”: nos fazer sentir como o herói do filme?

Wanderley Caloni, 2014-02-07. O Grande Lebowski. The Big Lebowski (USA, 1998). Dirigido por Joel Coen, Ethan Coen. Escrito por Ethan Coen, Joel Coen. Com Jeff Bridges, John Goodman, Julianne Moore, Steve Buscemi, David Huddleston, Philip Seymour Hoffman, Tara Reid, Philip Moon, Mark Pellegrino. IMDB.