O Homem Mais Procurado

O Homem Mais Procurado é um daqueles filmes que tenta te manter quase que completamente atento apenas pelo poder de persuasão de seu protagonista. Para sorte do diretor Anton Corbijn (Um Homem Misterioso), o intérprete Philip Seymour Hoffman, apesar de ter ido jovem, foi um dos grandes de sua geração, e constrói mais uma vez um personagem, se não multidimensional, crível naquele esquema de espionagem pós-atentados 119.

Estamos na Alemanha, e o objetivo de Günther Bachmann é manter o mundo mais seguro, mesmo que isso envolva ir contra os princípios malucos dos governantes da época, que inclui matar e torturar o maior número de prisioneiros, terroristas ou até mesmo suspeitos de serem ou financiarem o terrorismo. Eles estão governando para o povo paranoico ou eles mesmos são a paranoia? É uma questão interessante, mas que não é abordada aqui.

O que temos aqui é mais um O Espião que Sabia Demais mais fácil de digerir, embora com o mesmo nível de detalhes do que é uma operação de espionagem bem feita. Temos poucos diálogos quando estamos na ação das ruas, porque o editor Claire Simpson (O Leitor) sabe como conduzir um ritmo que exige paciência, mas que sempre te entrega algo. Ao mesmo tempo, Corbijn consegue escolher os melhores ângulos para que a onipresença de Bachmann e seus “comparsas” não seja percebido pelos seus alvos, ainda que esteja óbvio para nós, espectadores.

Infelizmente, os personagens são limitados, e até o homem mais procurado do título fornece poucas pistas sobre sua personalidade. Mesmo Bachmann, obviamente com um passado que o deixou amargurado e fumando como uma chaminé, nunca consegue soar mais interessante que seus momentos introvertidos. Sequer sabemos como funciona sua profissão (apenas que eles “não deveriam existir”, como uma C.I.A. europeia). Ao mesmo tempo, figuras como uma advogada idealista (Rachel McAdams) são monótonas se limitam-se a andar de bicicleta e querer ajudar a “ponta mais fraca”.

Em suma, a narrativa eficiente de “A Most Wanted” é a sua maior virtude junto da atuação de Hoffman, mas nem isso garante um trabalho memorável, pois seus personagens estereotipados dificilmente causam qualquer comoção ou estão ligados de alguma forma aos eventos que participam. No entanto, sua conclusão pessimista, apesar de provavelmente causar o ódio da maioria da plateia, tem sua força na mensagem final de que, por mais que quisermos a liberdade de fazer bem o nosso trabalho, sempre teremos burocratas agindo pelo bem da imagem governamental, seja lá o que for que isso signifique.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-01-17 imdb