O Jovem Frankenstein

As comédias do Mel Brooks são sempre um esculacho, mas nunca podemos acusá-lo de ser relapso no tema que pretende abordar. Nesse O Jovem Frankestein, por exemplo, é seguido à risca não só os conceitos e a história-base de Mary Shelley como a própria atmosfera dos primeiros filmes que caracterizavam o doutor obcecado com experimentos pós-vida e o icônico monstro que não apenas possui uma alma, mas como é mais gentil que todo o vilarejo onde moram. Tanto que o filme é em preto e branco, usa uma pintura para mostrar o castelo, letreiros antigos e uma trilha sonora inspirada.

Usando de maneira inteligente a persona caricata e ao mesmo tempo fascinada de Gene Wilder – que também escreve o roteiro com Brook – a história brinca com o neto do famoso médico – também médico, professor – que é atormentado pela controversa fama do avô. Junto com ele há a velha caricatura do corcunda (uma atuação engraçadíssima de Marty Feldman), a bela assistente que se joga nos braços do seu tutor, a governanta cujo nome faz os cavelos relincharem (onde quer que estejam) e um monstro que Peter Boyle cria como um misto de representações.

O filme é também um misto de emoções e conceitos. Uma hora hilário, outra dramática, faz tanto rir quanto pensar. Vira um complemento cômico da obra original, pois não a denigre, mas a reinterpreta para o humor. Um humor que se revela mais nos pequenos detalhes, como as expressões de Igor olhando para nós. De certa forma, Mel Brooks está a todo momento piscando para nós. Não é uma obra para se levar a sério, mas mesmo assim, o afinco com que é produzida a torna encantadoramente engraçada.

PS: Se você não gosta de filmes sem cores, estilo antigo ou que seja “sério demais para uma comédia”, apenas faça o seguinte: assista a sequência entre o monstro e um cego do vilarejo. É Gene Hackman fazendo uma ponta imperdível. Apenas cinco minutos de sua vida se foram, e vai ficar uma forte impressão de todo o filme.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-04-11 imdb