O Lobisomem

Nov 25, 2012

Imagens

Desde o início é possível perceber que a fotografia e a direção de arte usadas para narrar a lenda do homem que se transforma em “lobo”, ou fera, é de uma beleza ímpar, estetizada ao máximo e que cobre os cenários de maneira quase onírica, já lembrando do caráter lendário do monstro em questão. No entanto, toda essa beleza acaba sendo desperdiçada em uma história pedestre, que transforma os personagens em meras caricaturas, e suas relações absurdas fazem cair abaixo o teor realista da trama.

Narrando o drama de Lawrence Talbot (del Toro), que deve retornar à sua terra natal para o enterro do irmão Ben (Simon Merrells) e consequentemente rever o há muito visto pai John (Hopkins) e de maneira surpreendente sua cunhada Gwen (Blunt), a causa da morte brutal pode ter sido um ser que os nativos acreditam ser um monstro mítico que surge em noites de lua cheia e só pode ser abatido por uma bala de prata (durante quase todo o tempo o nome “lobisomem” não é pronunciado). Assustados pelo visitante daquela família já amaldiçoada pela morte da matriarca (um evento narrado rapidamente nos pensamentos de Lawrence), além da má-vinda comunidade de ciganos, que acampa próximo do vilarejo e cuja cultura alimenta a natureza do suposto monstro.

A situação se complica exponencialmente quando o próprio Lawrence é vítima da fera, mas não é morto, permanecendo ferido e, na visão do povo, um ser amaldiçoado eternamente e cujo único fim sadio para o vilarejo é o sacrifício. Juntando desastrosamente elementos de filmes de aventura, terror, “Robert Rodriguez” (como uma mão arrancada que atira e uma cabeça arrancada que fala) e tentando ao mesmo tempo manter o clima dramático de sua história, a direção de Joe Johnston parece não ter a menor noção de qual o tom que irá empregar em sua história, evitando ao máximo impor uma linha temática e investindo em tudo que tem à frente: ótimos efeitos digitais, um ótimo elenco e cenários de encher os olhos.

Infelizmente, tanta pomposidade não corresponde à história e nem aos seus personagens, que são obrigados a seguir linhas absurdas do roteiro de Andrew Kevin (A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça) e David Self (A Casa Amaldiçoada, o que diz muito). Há uma necessidade perene, por exemplo, em tentar criar um romance entre Lawrence e Gwen que simplesmente não funciona e não faz sentido. Ao mesmo tempo os motivos de seu pai John de ter feito alguns atos do passado de qual não se arrepende são pedestres e cheiram a decisões tomadas próximas do final das filmagens.

Baseado no longa de 1941, escrito por Curt Siodmak, essa refilmagem, embora plasticamente impecável, carece de uma alma que a acompanhe, lhe defina e que consiga fazer parte do imaginário do espectador, que não sabe se espera por cenas de ação, um drama pessoal ou simples terror gore no “melhor” estilo de Robert Rodriguez ou Guy Ritchie.

Wanderley Caloni, 2012-11-25. O Lobisomem. The Wolfman (USA, 2010). Dirigido por Joe Johnston. Escrito por Andrew Kevin Walker, David Self, Curt Siodmak. Com Simon Merrells, Gemma Whelan, Emily Blunt, Benicio Del Toro, Mario Marin-Borquez, Asa Butterfield, Cristina Contes, Anthony Hopkins, Art Malik. IMDB.