O Mágico de Oz

Jan 11, 2015

Imagens

Não dá para assistir a O Mágico de Oz e automaticamente não relacionar com Alice no País das Maravilhas já que a estrutura e muito provavelmente a ideia veio justamente do romance de Lewis Carroll. No entanto, ao relacionarmos também com o momento histórico dos EUA temos uma visão muito mais interessante. Uma crise financeira devastou o país por uma década e o filme estreia semanas antes da Segunda Grande Guerra oficialmente começar. Virou o símbolo de uma geração (além de ter uma belíssima música). Quando as pessoas perdem a esperança, é função do Cinema fazê-las as distrair com histórias fantasiosas, super-heróis impossíveis e viagens no espaço.

Uma das ideias mais interessantes do longa é utilizar a cor sépia para o mundo real onde a garota Dorothy (Judy Garland) mora, uma fazenda no Kansas, e o filme em cores para o mundo de Oz. Não apenas o filme em cores: foi utilizado o technicolor, uma tecnologia conhecida pela sua saturação de cores. Sabendo disso o filme ganha um outro aspecto, principalmente porque a sua chegada ao mundo de Oz é um oceano de cores pela festa que os moradores fazem por ela ter matado uma bruxa má durante a queda. Outro detalhe interessante da produção é que praticamente todos os fundos são pintados, uma forma barata de conseguir criar ambientes complexos e fantasiosos em estúdio.

A história é simples, com conceitos fundamentais de bem contra o mal. Logo no início a “bruxa boa” pergunta a Dorothy se ela é uma bruxa boa ou má, deixando entender que no mundo de Oz, essa dicotomia praticamente “Disneylesca” é a regra. Ela foi baseada em um romance de 1900, então é razoável supor que diversos detalhes foram omitidos, o que dá um certo ar de estranheza em alguns personagens mal desenvolvidos. De certa forma, não há personagens, mas apenas símbolos, incluindo a própria Dorothy. Os seres que a acompanham se sentem incompletos por não terem um cérebro, um coração e coragem. Dorothy apenas quer novamente um lar.

O filme se tornou um clássico americano, e foi um dos filmes mais assistidos e conhecidos por várias décadas. É citado em Matrix (1999), 60 anos depois, e várias de suas falas se tornaram icônicas. Até quem nunca assistiu (eu até hoje) sabe o que quer dizer “não há lugar como o lar”. Uma metáfora ainda hoje rica em um filme que envelheceu razoavelmente bem.

Wanderley Caloni, 2015-01-11. O Mágico de Oz. The Wizard of Oz (USA, 1939). Dirigido por Victor Fleming, George Cukor, Mervyn LeRoy, Norman Taurog, King Vidor. Escrito por Noel Langley, Florence Ryerson, Edgar Allan Woolf, Noel Langley, L. Frank Baum, Irving Brecher, William H. Cannon, Herbert Fields, Arthur Freed. Com Judy Garland, Frank Morgan, Ray Bolger, Bert Lahr, Jack Haley, Billie Burke, Margaret Hamilton, Charley Grapewin, Pat Walshe. IMDB.