O Mágico de Oz

Não dá para assistir a O Mágico de Oz e automaticamente não relacionar com Alice no País das Maravilhas já que a estrutura e muito provavelmente a ideia veio justamente do romance de Lewis Carroll. No entanto, ao relacionarmos também com o momento histórico dos EUA temos uma visão muito mais interessante. Uma crise financeira devastou o país por uma década e o filme estreia semanas antes da Segunda Grande Guerra oficialmente começar. Virou o símbolo de uma geração (além de ter uma belíssima música). Quando as pessoas perdem a esperança, é função do Cinema fazê-las as distrair com histórias fantasiosas, super-heróis impossíveis e viagens no espaço.

Uma das ideias mais interessantes do longa é utilizar a cor sépia para o mundo real onde a garota Dorothy (Judy Garland) mora, uma fazenda no Kansas, e o filme em cores para o mundo de Oz. Não apenas o filme em cores: foi utilizado o technicolor, uma tecnologia conhecida pela sua saturação de cores. Sabendo disso o filme ganha um outro aspecto, principalmente porque a sua chegada ao mundo de Oz é um oceano de cores pela festa que os moradores fazem por ela ter matado uma bruxa má durante a queda. Outro detalhe interessante da produção é que praticamente todos os fundos são pintados, uma forma barata de conseguir criar ambientes complexos e fantasiosos em estúdio.

A história é simples, com conceitos fundamentais de bem contra o mal. Logo no início a “bruxa boa” pergunta a Dorothy se ela é uma bruxa boa ou má, deixando entender que no mundo de Oz, essa dicotomia praticamente “Disneylesca” é a regra. Ela foi baseada em um romance de 1900, então é razoável supor que diversos detalhes foram omitidos, o que dá um certo ar de estranheza em alguns personagens mal desenvolvidos. De certa forma, não há personagens, mas apenas símbolos, incluindo a própria Dorothy. Os seres que a acompanham se sentem incompletos por não terem um cérebro, um coração e coragem. Dorothy apenas quer novamente um lar.

O filme se tornou um clássico americano, e foi um dos filmes mais assistidos e conhecidos por várias décadas. É citado em Matrix (1999), 60 anos depois, e várias de suas falas se tornaram icônicas. Até quem nunca assistiu (eu até hoje) sabe o que quer dizer “não há lugar como o lar”. Uma metáfora ainda hoje rica em um filme que envelheceu razoavelmente bem.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-01-11 imdb