O Mínimo Para Viver

2017/08/06

Mais um drama da Netflix que usa o seu formato já usado em trabalhos como The Fundamentals of Caring (Amizades Improváveis no IMDB). Há uma pessoa que vive com dificuldades, as famílias e desconhecidos em volta, o Keanu Reeves porque sim (o bom é que ele já ganha a graninha do metrô) e um filme leve demais para conseguir causar qualquer comoção ou profundidade no tema que quer abordar.

O tema é anorexia. A menina principal já foi internada algumas vezes, tem pais separados, foi abandonada pela mãe que casou com outra mulher, vive com sua madrasta, pai sempre ausente e sua meia-irmã com bochechas rosadas.

Ela é magra, super-magra, e vem piorando. Ela não consegue comer, mas é bonita e artista. Uma de suas pinturas foi motivo para uma de suas fãs do seu Tumblr se matasse (sempre o Tumblr). Ela agora é internada em mais uma instituição. Essa dessa vez é regida pelo Keanu Reeves, então sabemos que vai dar tudo certo dessa vez.

Ou talvez não. Você não vai imaginar como a expressão de Reeves anda tão abatida ultimamente.

O filme dirigido e escrito por Marti Noxon (Buffy: A Caça-Vampiros) coloca Lily Collins como Ellen, a menina artista sem graça um tanto depressiva e sem muita capacidade de empatia pelo espectador. Ela é simplesmente um ser humano que não sabe por que não consegue comer. Enquanto isso visitamos diferentes pacientes da instituição e seus dramas, cada um lidando do seu jeito, mas nenhum deles aparentemente melhorando.

A intenção do filme parece óbvia: dizer que as coisas não são tão simples quanto parecem. Esse é um lado bom da história. Ela também consegue te cativar, a despeito da protagonista, graças ao irritante e esquecível Luke (Alex Sharp). A tarefa de Sharp é aparentemente impossível, pois ele precisa não roubar o protagonismo de uma Collins quase completamente apática e inexpressiva, enquanto apesar de sabermos pouco sobre sua derrocada no balé, é o suficiente para despertar mais simpatia.

Porém, sejamos justos. Ninguém é muito apetitoso falando de atuações, e Reeves é a cereja do bolo. Esperamos ansiosamente por alguns bons momentos de uma boa história, mas cozido a fogo médio, o filme de Noxon nunca chega a nos premiar com algum momento muito profundo, preferindo discorrer em um ambiente realista sobre os motivos que tornam uma pessoa anoréxica, e como fazê-la sair dessa situação.

Qual o mínimo para viver quando a vida parece não fazer muito sentido? Talvez nada. O que justificaria um final menos feliz por aqui. Infelizmente, as pessoas possuem esperanças sem motivo, mesmo.

★★★☆☆ Título original: To the Bone. País de origem: USA. Ano 2017. Direção: Marti Noxon. Roteiro: Marti Noxon. Elenco: Rebekah Kennedy (Penny). Lily Collins (Ellen). Dana L. Wilson (Margo). Ziah Colon (Angel). Joanna Sanchez (Rosa). Liana Liberato (Kelly). Carrie Preston (Susan). Don O. Knowlton (Jack). Valerie Palincar (Mother). Edição: Elliot Greenberg. Fotografia: Richard Wong. Trilha Sonora: Fil Eisler. Duração: 107. Razão de aspecto: 1.85 : 1. Gênero: Comedy. Estreia no Brasil: 14 July 2017 (internet). Tags: netflix

Share on: Facebook | Twitter | Google